Os ministros de Exteriores da União Europeia (UE) decidiram nesta segunda-feira suspender quase todas as sanções comunitárias contra Mianmar, com exceção do embargo de armas em vigor, em resposta aos progressos democráticos no país.
A decisão, que virá acompanhada nos próximos dias dos textos legais necessários, deixará sem efeito as sanções durante um ano, segundo fontes comunitárias. Atualmente, estas afetam mais de 800 empresas e 500 indivíduos, assim como as ajudas europeias à cooperação.
Os 27 países do bloco decidiram finalmente não proceder a suspensão total das sanções e optaram por uma suspensão que pode ser revogada se o processo de mudança no país asiático se estagnar ou dar marcha à ré.
“Esta é a fórmula correta. Estão acontecendo grandes progressos (em Mianmar), mas seguimos preocupados com os conflitos étnicos, os prisioneiros políticos e o juramento dos membros da oposição no Parlamento”, explicou o ministro de Exteriores britânico, William Hague.
O Parlamento de Mianmar retomou hoje suas sessões sem a presença no plenário de Aung San Suu Kyi e dos demais membros eleitos do partido opositor, em resposta ao seu desacordo com a fórmula de juramento para tomar posse do cargo.
O protesto de Suu Kyi e dos outros 42 membros eleitos da Liga Nacional pela Democracia (LND) é a primeira crise constitucional desde que há mais de um ano começou o processo de reformas políticas e econômicas.
A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, assegurou hoje que está seguindo esses eventos de perto e lembrou que estará no próximo fim de semana em Mianmar, onde se encontrará, entre outros, com a líder opositora.
Essas disputas, em todo caso, não fizeram a UE desistir de sua ideia de acercar posturas com Mianmar em resposta ao que fontes europeias qualificam como “mudanças históricas” empreendidas pelas autoridades do país.
No último mês de fevereiro, a UE já havia dado um primeiro passo ao suprimir as sanções contra o presidente birmanês, o ex-general Thein Sein, e outras 86 pessoas do regime, que lhes impediam de viajar para o território comunitário.