A União Europeia (UE) manifestou nesta terça-feira sua “preocupação” pela instabilidade política no Haiti um ano depois do terremoto que assolou o país e deixou 1 milhão de desabrigados, e reiterou que continua sendo uma de suas principais prioridades ajudar na reconstrução.
“A instabilidade atual impede que a ajuda humanitária da UE chegue às pessoas necessitadas e faz com que o processo de reconstrução seja mais lento e difícil”, destacaram em comunicado conjunto a chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, e os comissários de Desenvolvimento, Andris Piebalgs, e de Ajuda Humanitária, Kristalina Georgieva.
Indicaram que essa situação “prejudica nosso desejo comum de colocar o Haiti em uma posição mais forte para empreender o longo caminho em direção a estabilidade, o desenvolvimento humano e a redução duradoura da pobreza”.
Os três representantes europeus se pronunciaram por causa do primeiro aniversário do terremoto e afirmaram que a UE foi “um sócio firme” no Haiti e que seguirá comprometida “plenamente no longo prazo para avançar na reconstrução do país e ajudar a sua população a construir um futuro melhor”.
Assim, pediram as autoridades haitianas para garantir as condições necessárias para celebrar eleições “livres e transparentes”, e solicitaram à população que siga mantendo a calma e participe do segundo turno do pleito de maneira pacífica.
Piebalgs e Georgieva lembraram em entrevista coletiva que a UE se mobilizou para proporcionar assistência humanitária ao país imediatamente depois da catástrofe, e destinou 3 milhões de euros para as necessidades de emergência, uma quantia que aumentou de maneira gradual até alcançar os 120 milhões de euros no final de 2010.
A UE forneceu barracas, comida, água, refúgios e médicos. Atualmente, disponibiliza este tipo de efetivos para lutar contra a epidemia de cólera que atinge o Haiti.
De forma reiterada, a UE insiste que é o primeiro doador mundial ao Haiti e que na conferência internacional de doadores de março de 2010 comprometeu 1,2 bilhões de euros para assistir ao Governo haitiano na reconstrução de médio e longo prazo.
Pelos dados, a UE destinou ao redor de 600 milhões de euros, o que representa mais da metade dos fundos prometidos.
Só a comissão prometeu 522 milhões de euros, dos quais comprometeu 330 milhões para consolidar as principais funções do Estado e, em particular, o pagamento dos salários dos professores, o pessoal de saúde e a proteção civil, e no reforço e a reconstrução das infraestruturas e estradas estratégicas.
Ashton, Piebalgs e Georgieva destacaram em sua nota que a situação “separa muito de ser satisfatória” e que “piorou em alguns aspectos”.
“No entanto, isto não significa que nosso esforço tenha sido pouco ou que nosso dinheiro e nossa capacidade tenham sido em vão”, apontaram, e se mostraram convencidos que, “sem o firme apoio da UE, o país teria paralisado totalmente e a situação teria sido muito pior”.