ministro da Defesa turco, Vecdi Gönül, negou nesta terça-feira por meio de um comunicado que seu país tenha vendido armas ao Irã, como foi indicado por documento vazado pelo WikiLeaks.
Segundo o documento, de 22 de fevereiro e assinado pela secretária de Estado americana, Hillary Clinton, foi exigido da Turquia que se explicasse a respeito da venda de armas ao Irã por parte da empresa estatal MKEK e da privada Mercan Tanitim, além de informações sobre o destino de 181 lança-granadas vendidos pelos Estados Unidos à Turquia em 1995.
“Esta acusação não é certa. A MKEK não vendeu nenhum de seus produtos, armas ou munição ao Irã”, rebateu o comunicado do Ministério turco.
No caso da Turquia, os documentos da diplomacia vazados pela WikiLeaks revelam certa preocupação do Governo americano com a política do primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdogan, descrito como “carismático”, “viciado em trabalho”, “patriarca benevolente” e “autocrático”.
O material também assegura que Erdogan dispõe de oito contas bancárias na Suíça e estaria relacionado a supostos casos de corrupção.
Os primeiros documentos, datados de 2004 e 2005 e assinados pelo embaixador Eric Edelman, são os mais duros com o Governo turco, que naquela época mantinha tensas relações com os EUA devido às divergências sobre o Iraque.
A informação mais grave extraída dos documentos de Edelman é que o principal informante dentro do Governo turco é Vecdi Gönül, ministro da Defesa desde 2002, que é citado relatando que o atual ministro das Relações Exteriores, Ahmet Davutoglu, é “extremamente perigoso”. No entanto, Gönül negou sequer ter pronunciado essas palavras.
“Naquele período acabávamos de chegar ao Governo. Por que eu iria insultar um companheiro diante de um embaixador estrangeiro?”, afirmou em declarações publicadas nesta terça-feira pelo jornal “Radikal”.
Edelman descreve o atual presidente turco, Abdullah Gül, como um muçulmano “intransigente” e o situa dentro dos políticos mais antiamericanos do Governo, enquanto seu sucessor, o embaixador Ross Wilson, o considera “o homem que maneja os fios”.
“Algumas destas questões (sobre a Turquia) podem ser certas e outras falsas, mas nenhuma mudará nossos esforços para fazer da Turquia um país mais forte e desenvolvido”, disse Gül em entrevista coletiva.
Além disso, o presidente considerou que as revelações não prejudicarão as relações entre a Turquia e seus aliados, como os EUA e o Azerbaijão, embora reconheceu que podem alterar as relações internacionais, já que os diplomatas deverão ser “mais cuidadosos”.