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Mundo

Turquia impõe o silêncio aos sírios que buscaram refúgio no país

Arquivo Geral

15/06/2011 10h53

“Há 3,5 mil pessoas dentro”, diz um sargento turco que vigia o campo de refugiados de Boynuyogun, o último que as autoridades turcas e a organização Crescente Vermelho estabeleceram para acolher os milhares de sírios que fogem da repressão do regime de Bashar al Assad.

Boynuyogun surgiu praticamente sobre a fronteira, a apenas cinco quilômetros do chamado Reservatório da Amizade Turco-Síria, inaugurado em fevereiro pelos Governos dos dois países.

Desde que o acampamento foi inaugurado, a situação mudou completamente: um grupo de educados oficiais do Exército turco pedem desculpas por não oferecerem mais informação e impedem os jornalistas de se aproximar do local, cujas cercas estão cobertas para que ninguém possa olhar para dentro.

Por enquanto, os quatro acampamentos criados (Boynuyogun, Altinözü e os dois de Yayladagi) estão lotados, com um total de 8.538 refugiados. Mas o fluxo de sírios que escapam da brutal repressão não cessa, por isso que outros dois estão sendo montados.

Os jornais turcos asseguram, sem citar fontes oficiais, que entre 8 mil e 10 mil sírios esperam do outro lado da fronteira para partir para a Turquia.

Um grupo de policiais vigia a entrada do segundo campo que está sendo montado em Altinözü.

“Não podemos dar informação”, disse um dos policiais à Agência Efe ao ser perguntado sobre o número de sírios no local.

Um sírio que descansa perto de uma árvore com seu filho revela à Efe que vem de Yisr al Shugur, a localidade atacada pelas tropas sírias após dias de confrontos. “A gente gosta de (primeiro-ministro turco, Recep Tayyip) Erdogan”, se limitou a dizer sobre o pedido do governante ao presidente sírio, Bashar al Assad, para que detenha a violência.

No campo de Yayladagi a situação é similar e é difícil obter qualquer tipo de informação. Os acampamentos estão cercados e câmaras de segurança vigiam os movimentos de seus ocupantes 24 horas por dia. Os empregados também não são autorizados a fornecer informação e apenas parentes próximos podem visitar os refugiados.

De acordo com a imprensa local, estas medidas de segurança extrema começaram há três dias, por ordem da delegação do Governo provincial, algo que não agradou os próprios refugiados, já que cortaram seus laços com o mundo exterior.

Segundo uma fonte oficial que preferiu se manter no anonimato, esta política busca garantir a segurança dos sírios, que temem que, se forem filmados ou fotografados, possam ter problemas quando retornarem a seu país.

No entanto, o presidente do Colégio de Médicos da província de Hatay, Sinan Matkap, declarou à Efe que não consegue entender essa política de isolamento.

“Junto a várias associações de direitos humanos pedimos permissão para visitar os campos. Mas isso ainda não nos foi permitido”, destacou.

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