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Donald Trump afirmou nesta quarta-feira (17) que espera receber o líder do Líbano, Joseph Aoun, em Washington nas próximas semanas.
Trump disse que a visita deve ocorrer em meio às tratativas dos EUA sobre o Irã e seus aliados na região.
Ele afirmou que, em um esforço paralelo ao acordo EUA-Irã, o governo americano pretende discutir com países do Golfo temas como mísseis balísticos iranianos e grupos apoiados por Teerã.
Presidente também citou o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, ao falar sobre o conflito no Líbano. “Eles poderiam se sair melhor em relação ao Hezbollah”, disse Trump, referindo-se a Israel. Além disso, argumenta que a Síria é quem deveria “cuidar” do grupo armado.
Trump criticou a resposta israelense a ataques que, segundo ele, não teriam causado danos. “Não estou dizendo que eles não devam se proteger. Estou dizendo que quando dois drones são lançados no deserto e caem sem causar danos, não é preciso demolir prédios em Beirute. Eles poderiam se comportar melhor”, afirmou.
Ele disse ter pena do país e descreveu uma perda de protagonismo ao longo de décadas. “E eu sinto muita pena do Líbano. O Líbano era, sabe, uma cultura grandiosa… Uma cultura incrível, talvez a mais rica do Oriente Médio por muitos e muitos anos, séculos. E nos últimos 50, 60 anos, eles foram simplesmente destruídos. Eles têm vivido no inferno”, declarou.
Trump também comentou a relação com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, com quem relatou divergências sobre o Líbano. “Netanyahu é um bom homem, às vezes se empolga um pouco, mas é um homem muito bom. Tivemos uma parceria incrível. Ele foi um primeiro-ministro incrível, apesar de termos uma pequena divergência sobre o Líbano.”
ISRAEL SE NEGA A SAIR DO LÍBANO
Em uma coletiva de imprensa transmitida pela TV, Netanyahu disse que Israel não pretende sair do sul do Líbano no curto prazo. “Estabelecemos zonas de segurança profundas ao redor do Estado de Israel.
Fizemos isso em Gaza, no Líbano e na Síria. E quero deixar claro: permaneceremos nessas zonas de segurança para proteger nosso país”, afirmou.
O primeiro-ministro também apresentou a campanha militar conjunta com os EUA contra o Irã como um marco para a segurança israelense. “E o que isso significaria? Significaria que milhões de cidadãos israelenses estariam em terrível perigo de morte em massa e afastamos de nós, por anos, esse perigo da aniquilação da população de Israel”, disse.
O acordo provisório entre Washington e Teerã ainda tem detalhes pouco claros, mas sinaliza um cessar-fogo no Líbano. Autoridades americanas buscaram acalmar Israel ao dizer que a retirada de tropas israelenses do país vizinho não é condição do pacto e que Israel manteria o direito de se defender de ataques do Hezbollah.
Mesmo com as garantias dos EUA, o entendimento foi tratado como revés por parte da imprensa e de analistas em Israel. O governo israelense resistia à tentativa iraniana de vincular o acordo com os EUA à interrupção de ataques contra o Hezbollah em território libanês.
No sul do Líbano, houve relativa calma, mas episódios de violência continuaram. Um ataque de drone israelense matou uma pessoa em Kfar Tebnit, e o Hezbollah disse depois ter atacado uma força israelense que tentava avançar na mesma área.
Trump diz que líder do Líbano vai a Washington em meio a impasse com Israel
Trump disse que a visita deve ocorrer em meio às tratativas dos EUA sobre o Irã e seus aliados na região
Foto: Jim Watson/ AFP