Em documento enviado ao Congresso norte-americano, o presidente Donald Trump cobrou ações urgentes de Brasília e acusou o governo brasileiro de falhar no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV).
A avaliação integra a determinação anual sobre o narcotráfico mundial divulgada nesta quarta-feira (16/9) pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos. Segundo o texto, as duas facções transformaram o território nacional em uma rota central para a distribuição global de cocaína.
Mesmo com a crítica direta, o Brasil ficou fora da lista oficial de 23 países apontados como os principais centros produtores ou de trânsito de entorpecentes. O país também não foi incluído entre aqueles classificados em falha comprovada no cumprimento de metas antidrogas, grupo que reuniu Bolívia, Colômbia, Afeganistão e Mianmar.
A cobrança surge meses após Washington designar PCC e CV como grupos terroristas estrangeiros, decisão assinada em maio. A classificação autoriza sanções econômicas e bloqueio de ativos sob jurisdição americana, postura que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva contestou por avaliar que a medida representava riscos à soberania brasileira.
Em paralelo às críticas dirigidas a Brasília, o relatório da Casa Branca elogiou ações tomadas por Argentina, Equador e El Salvador contra o narcotráfico. O texto ressaltou ainda a disposição de cooperação de governantes sul-americanos, destacando a presidente do Peru, Keiko Fujimori, e o presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella.