Os Estados Unidos “ainda não terminaram” com o Irã, advertiu nesta terça-feira (21) o presidente Donald Trump, duas semanas após a retomada das hostilidades no Oriente Médio, que também ameaçam se estender ao Mar Vermelho.
A pressão sobre a economia global aumenta, já que o Irã impõe um bloqueio no estratégico Estreito de Ormuz e, na segunda-feira, seus aliados no Iêmen, os rebeldes houthis, afirmaram que pretendem bloquear a navegação de e para os portos sauditas no Mar Vermelho.
Após a intensificação dos ataques do Irã no Golfo, Trump advertiu nesta terça-feira que os Estados Unidos “não terminaram de forma alguma” sua campanha contra a república islâmica, após a décima noite consecutiva de bombardeios.
O presidente afirmou que seu próximo alvo será um complexo nuclear subterrâneo conhecido como Montanha Pickaxe, próximo a Natanz, onde os serviços de inteligência ocidentais suspeitam que o Irã esteja construindo uma instalação de enriquecimento de urânio não declarada.
“Vamos atacar essa área muito em breve, e com muita força”, disse Trump.
Os rebeldes houthis, que controlam amplas regiões do Iêmen, anunciaram na segunda-feira um “bloqueio marítimo” contra a Arábia Saudita, aliada dos Estados Unidos.
Não está claro como os rebeldes do Iêmen poderão implementar esse bloqueio contra um dos maiores produtores mundiais de petróleo, que depende de seus portos no mar Vermelho para contornar o bloqueio iraniano no Estreito de Ormuz.
Após o anúncio, os preços do petróleo atingiram, na segunda-feira, seu nível mais alto em um mês e, embora tenham recuado ligeiramente nesta terça-feira, o barril do Brent continua acima de 90 dólares.
Trump também ameaçou os houthis nesta terça-feira e afirmou que, se eles levarem adiante o bloqueio, os Estados Unidos cuidarão deles.
“Eles já sabem disso. Nós já fizemos isso antes com os houthis, e faz muito tempo que não ouvimos mais nada deles desde que adotamos as medidas que tomamos naquela ocasião”, afirmou.
A consultoria Vanguard Tech identificou nesta terça-feira dois navios que deram meia-volta no Mar Vermelho, após terem carregado cargas no porto saudita de Yanbu, depois das advertências feitas pelos rebeldes iemenitas.
– “Pressão psicológica” –
Na outra extremidade da Península Arábica, as tensões em torno do controle de Ormuz levaram à retomada, em 7 de julho, das hostilidades entre o Irã e os Estados Unidos.
Os bombardeios atingiram níveis sem precedentes desde o primeiro cessar-fogo acordado em abril e reforçado em meados de junho por um protocolo que deveria levar ao fim da guerra.
Como já havia feito no início dos bombardeios israelenses-americanos, em 28 de fevereiro, o Irã respondeu com ataques a aliados de Washington no Golfo e no Oriente Médio, como Síria, Jordânia e Iraque.
“O inimigo deverá se preparar para ondas de drones e ataques de mísseis ainda mais decisivos e poderosos”, afirmou nesta terça-feira a Guarda Revolucionária. O exército ideológico do Irã assegurou que suas forças haviam destruído sistemas de defesa antiaérea e instalações de radares no Bahrein e no Kuwait.
No Kuwait, as autoridades pediram que a população reduza o uso de ar-condicionado após denunciarem ataques a instalações de dessalinização e usinas elétricas por Teerã.
Naser al Dhafiri, um funcionário kuwaitiano de cerca de 40 anos, afirma que os ataques e o medo de apagões nesse país muito quente geram “uma imensa pressão psicológica” sobre a população.
“O que o Kuwait vive hoje é algo que não experimentamos nem mesmo durante a invasão do Iraque (em 1991), em termos de pressão psicológica e de não saber para onde as coisas estão caminhando”, afirma.
Do outro lado, o presidente iraniano, Masud Pezeshkian, afirmou que o Irã está envolvido em uma guerra total.
“Continuamos lutando para suprir nossas necessidades básicas e, agora, além disso, precisamos enfrentar a destruição causada pela guerra”, afirmou Shahin, uma bordadeira de 34 anos de Iranshahr, no centro do Irã.
– Paquistão pede moderação de todas as partes –
Até o momento, não há sinais de avanço diplomático concreto, apesar da visita ao Paquistão, mediador do conflito, do ministro do Interior iraniano, Eskandar Momeni.
Durante o encontro, o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, “instou todas as partes a agir com moderação e a se abster de tomar medidas que possam desestabilizar ainda mais a região”.
Por enquanto, os ataques americanos deixaram pelo menos 50 mortos e mais de 500 feridos no lado iraniano desde a retomada dos combates, segundo o último balanço oficial divulgado na sexta-feira.
Do lado americano, três militares morreram na Jordânia e no Iraque nos últimos dias.
AFP