Um tribunal administrativo anulou nesta quarta-feira a convocação das eleições presidenciais do Egito, previstas para os dias 23 e 24 de maio por considerar que a Comissão Eleitoral Suprema não tem competência para organizar o pleito, informaram à Agência Efe fontes judiciais.
A decisão foi tomada pela corte – presidida pelo juiz Mohammed Hatem Amre – da cidade de Banha, na província de Qalyubia, mas ainda deve ser revisada pela Corte Suprema Administrativa da capital egípcia.
De acordo com a corte, a autoridade competente para convocar eleições é o Conselho Supremo das Forças Armadas, que dirige o país desde a renúncia de Hosni Mubarak do poder, em fevereiro de 2011.
O problema, segundo as fontes, está na resolução número 5 de 2012, emitida no dia 7 de março passado pelo presidente da Comissão Suprema Eleitoral Presidencial, Farouk Sultan, que, em sua primeira cláusula, convoca os eleitores para eleger o presidente.
A agência de notícias oficial egípcia “Mena” confirmou a suspensão da resolução número 5 de 2012 da Comissão Eleitoral.
A decisão, segundo a “Mena”, indica que o tribunal autoriza o litigante a interpor um recurso por inconstitucionalidade ante o Tribunal Constitucional Supremo contra a lei que regula os direitos políticos.
O vice-presidente do Conselho de Estado, Mohammed Hassan, afirmou em declarações à Agência Efe que esta decisão afeta a convocação em si das eleições, e o que faz é invalidar a citada cláusula. “O cumprimento dessa cláusula é responsabilidade do setor administrativo representado na Comissão Eleitoral e na Junta Militar”.
Segundo o jurista, “a solução para esta situação requer que a Junta Militar emita uma convocação para as eleições”, cujo primeiro turno estava marcado para os dias 23 e 24 de maio.
Este conflito coincide com as informações publicadas na imprensa egípcia de que a Comissão Eleitoral teria suspendido suas sessões entre esta segunda e quarta-feira em protesto contra as críticas feitas contra ela pelo Parlamento.
Vários grupos políticos, entre eles o Partido Liberdade e Justiça – legenda da Irmandade Muçulmana, majoritário no Parlamento -, pedem há semanas a derrogação do artigo 28 da Constituição interina, aprovada em março de 2011, que estabelece que as decisões da Comissão Eleitoral são inapeláveis.
Às eleições presidenciais, as primeiras desde a revolução que derrubou Mubarak em 2011, concorrem 13 candidatos, entre os quais partem como favoritos o ex-secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa; o islamita moderado Abdel Moneim Abul Futuh; e o aspirante da Irmandade Muçulmana, Mohammed Mursi.