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Treze pacientes de covid morrem em incêndio em hospital na Índia

A investigação sobre a origem do incêndio aponta para uma provável explosão no sistema de ventilação

Treze pacientes de covid-19 morreram no incêndio em um hospital nos arredores de Mumbai nesta sexta-feira (23), informou uma autoridade local à AFP.

“Havia 17 pacientes lá dentro quando o incêndio começou na unidade de terapia intensiva do hospital Vijay Vallabh, dos quais 13 morreram e outros quatro foram transferidos para outras unidades”, relatou o chefe do corpo de bombeiros, Morrison Khavari.

A investigação sobre a origem do incêndio aponta para uma provável explosão no sistema de ventilação. Segundo o CEO do hospital, Dilip Shah, outros pacientes que precisavam de oxigênio foram transferidos para unidades de saúde próximas.

Este é apenas o mais recente acidente envolvendo pacientes com coronavírus na Índia. Na quarta-feira, 21, outros 24 internados com covid morreram devido a um vazamento de oxigênio em um hospital em Nashik, outra cidade no estado de Maharashtra.

Recorde de casos de Covid-19

A Índia registrou quase 315.000 novos casos de covid-19 em 24 horas, um terrível recorde mundial que deixa os hospitais de Nova Delhi no limite de suas capacidades e diante de uma preocupante escassez de oxigênio medicinal.

A segunda onda da covid-19, atribuída sobretudo a uma “dupla mutação” do vírus, mas também à recente celebração de grandes eventos, mostra, mais uma vez, as falhas do sistema de saúde da Índia.

O ministério da Saúde indiano informou nesta quinta-feira que o país contabilizou 314.835 novos casos em apenas um dia, o maior balanço em 24 horas registrado até agora por uma nação.

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Desde o início da pandemia, a Índia registra 15,9 milhões de infectados, o que significa que é o segundo país com o maior número de casos, atrás apenas dos Estados Unidos e à frente do Brasil (14,12 milhões de casos).

Mas o Brasil, com 212 milhões de habitantes, tem um balanço de 381.000 mortos, o dobro da Índia, onde vivem 1,3 bilhão de pessoas.

Nas últimas 24 horas o país também registrou 2.074 mortes, o que eleva o balanço oficial da epidemia no país a quase 185.000 vítimas fatais.

O número de casos e mortes na proporção por sua população, no entanto, continua sendo consideravelmente menor na Índia que em vários países.

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“Por quê o governo não acorda”?

Vários hospitais e clínicas de Nova Delhi fizeram um apelo desesperado ao governo central para que proporcione urgentemente oxigênio a centenas de pacientes em estado grave.

Na quarta-feira, a capital do país recebeu 500 toneladas de oxigênio medicinal, uma quantidade inferior às 700 toneladas diárias que a cidade precisa.

O governo da megalópole de 25 milhões de habitantes acusou os estados vizinhos governados pelo BJP, o partido do primeiro-ministro Narendra Modi, de adiar o abastecimento.

Na quarta-feira, o Tribunal Superior de Nova Delhi ordenou ao governo que garanta o abastecimento de oxigênio aos hospitais de todo o país.

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“Não podemos deixar que as pessoas morram por falta de oxigênio […] Implorem, peçam emprestado e roubem, mas forneçam”, afirmaram os juízes, que questionaram: “Por que o governo não acorda para a gravidade da situação?”

Mercado clandestino de medicamentos

Parentes de pacientes são obrigados a pagar preços exorbitantes por medicamentos e oxigênio no mercado clandestino, ao mesmo tempo que os pedidos de ajuda proliferam nas redes sociais.

Na cidade Lucknow, norte do país, Ahmed Abas, de 34 anos, comprou um cilindro de 46 litros por 45.000 rupias, nove vezes acima do preço habitual.

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Em Patna (nordeste), Pranay Punuj recebeu uma ligação durante a madrugada do hospital em que sua mãe estava internada com o alerta de que não havia oxigênio suficiente para o tratamento.

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“Várias horas depois, conseguimos, com um preço muito elevado, um leito em um hospital particular, para onde a levamos”, disse à AFP.

Os hospitais do estado de Maharashtra (oeste) e de sua capital, Mumbai, epicentro do surto de coronavírus, também enfrentam uma escassez de medicamentos.

“Estamos pagando pela má gestão do governo”, declarou à AFP Ananya Bhatt, estudante de 22 anos. “Que tipo de país deixa que seus cidadãos sufoquem assim?”.

Nas redes sociais, dezenas de “influencers” criaram uma campanha para ajudar pessoas necessitadas, como a ativista pelo clima Disha Ravi e a estrela do YouTube Kusha Kapila.

Ambos recebem e compartilham informações sobre a disponibilidade de leitos nos hospitais ou números de telefone de assistência local, de farmácias com estoque e serviços de distribuição de comida a domicílio.

Os estados do país adotaram medidas diferentes de restrições: desde segunda-feira à noite Nova Délhi está em confinamento por uma semana, todas as lojas não essenciais estão fechadas no estado de Maharashtra, enquanto em Uttar Pradesh, que tem 200 milhões de habitantes, um confinamento entra em vigor durante o fim de semana.

O governo dos Estados Unidos desaconselha viagens à Índia, o Reino Unido incluiu o país na “lista vermelha” e Hong Kong e Nova Zelândia suspenderam os voos procedentes do país.

A Índia aplicou mais de 130 milhões de doses de vacinas até o momento e a partir de 1º de maio todos os adultos poderão ser vacinados.

© Agence France-Presse






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