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Tocha olímpica se apaga em Paris, imersa em protestos a favor do Tibete

Arquivo Geral

07/04/2008 0h00

A tocha olímpica dos Jogos Olímpicos de Pequim 2008 percorreu hoje as ruas de Paris em meio a manifestações em favor do Tibete e dos direitos humanos na China e a incidentes nos quais ela precisou ser apagada e protegida em um ônibus.

Assim como ocorreu na véspera, order em Londres, a passagem da tocha olímpica não teve nada de animado e se tornou uma manifestação contra o regime chinês e, em particular, a favor do povo tibetano, vítima de uma dura repressão nas últimas semanas.

Após sua curta exposição pública na capital francesa, a tocha olímpica irá esta noite para os Estados Unidos.

Apesar do impressionante dispositivo de segurança, formado por aproximadamente três mil agentes, a chuva de incidentes obrigou à suspensão da última parte dos 28 quilômetros do percurso por Paris e a chama chegou ao estádio de Charléty em um nada charmoso ônibus, longe do clamor popular inerente ao símbolo olímpico.

Antes, também precisou ser protegida em vários trechos, seu percurso foi encurtado e foram canceladas algumas das passagens previstas para o artefato olímpico, como a Prefeitura.

O passeio da tocha olímpica por Paris e os subseqüentes protestos fizeram com que muitas pessoas fossem detidas. Algumas delas carregavam extintores prontos para apagar as chamas.

Desde que o símbolo dos Jogos Olímpicos de Pequim começou seu percurso na Torre Eiffel ao meio-dia de hoje, sua passagem por Paris se tornou uma corrida de obstáculos que obrigou os organizadores a colocá-la em várias ocasiões em um ônibus para poder avançar.

A Polícia municipal de Paris confessou que pelo menos uma vez foi obrigada a apagar a tocha devido a um problema técnico, mas várias testemunhas afirmaram que as chamas desapareceram em mais ocasiões.

Isso, no entanto, é uma informação difícil de confirmar diante do caos do percurso, abarrotado de bandeiras do Tibete e rodeado por um inédito dispositivo de segurança que quase não permitia apreciar a tocha.

O símbolo olímpico desceu os degraus da Torre Eiffel nas mãos do ex-atleta francês Stéphane Diagana, ouro nos 400 metros com barreiras do mundial de atletismo de 1997, o que se tornou uma ironia por causa do percurso infestado de obstáculos que aguardava a tocha.

Logo após deixar a esplanada da Torre Eiffel começaram os incidentes.

Dezenas de manifestantes tentaram alcançar a chama e se depararam com o dispositivo de segurança composto de uma barreira de motos, agentes e guarda-costas que impediam a aproximação a menos de 200 metros do cortejo.

O trajeto, que inicialmente incluiria 80 atletas importantes, em sua maioria esportistas ativos ou aposentados, com uma discreta insígnia “por um mundo melhor”, também mobilizou um helicóptero e navios no Sena, e várias estações de metrô foram fechadas.

Embora os manifestantes não tenham alcançado o objeto olímpico, conseguiram interromper seu trajeto ao entrarem no meio do percurso, obrigando a Polícia a usar a força para dispersá-los, o que provocou grandes confrontos.

À medida em que passava o tempo, aumentava o atraso, ao qual se somaram as constantes manifestações de organizações de direitos humanos.

Uma das mais ativas foi a Repórteres Sem Fronteiras (RSF), que tem sua sede em Paris e que já interrompeu, no dia 24, a cerimônia na qual a tocha foi acesa em Olímpia, Grécia.

Seus ativistas conseguiram desdobrar em diversos pontos do trajeto grandes bandeiras com seu símbolo contra os Jogos Olímpicos, algumas algemas disposta em forma de aros olímpicos que simbolizam a repressão na China podiam ser vistas da Torre Eiffel, no Champs-Elysées, na Prefeitura e na catedral de Notre Dame.

Os responsáveis da RSF se mostraram muito satisfeitos com a mobilização cidadã “sem precedentes” por uma causa internacional e pediram ao presidente francês, Nicolas Sarkozy, que “leve em conta o clamor popular” e boicote a cerimônia inaugural dos Jogos como medida de pressão.

A organização não foi a única que defendeu esta medida: dezenas de deputados se manifestaram na Assembléia Nacional durante passagem da tocha.

Os parlamentares desdobraram um cartaz em favor dos direitos humanos na China e cantaram a “Marselhesa”.

Foi o último ponto no qual se pôde ver a tocha, já que a partir dali ela foi colocada definitivamente em um ônibus e conduzida ao Charléty, o estádio de atletismo situado junto ao Comitê Olímpico Francês onde será realizada a cerimônia de encerramento.

Ali, houve discursos e foram apresentados os símbolos olímpicos, um esforço em vão, pois as manifestações já tinham tirado o brilho da festa.



 

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