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Mundo

Termina tumultuada audiência de Murdoch no Parlamento britânico

Arquivo Geral

19/07/2011 14h29

O depoimento do magnata das comunicações Rupert Murdoch – proprietário do conglomerado News Corporation – e de seu filho James Murdoch no Parlamento britânico pela polêmica das escutas ilegais terminou nesta terça-feira após uma sessão de três horas, interrompida pela tentativa de agressão de um espectador.

A longa audiência, em que ambos explicaram até que ponto conheciam o alcance do escândalo, foi suspensa por cerca de 15 minutos após um espectador tentar agredir o magnata com um objeto que parecia um prato de plástico com espuma de barbear.

A fala de Rupert Murdoch superou amplamente o horário estipulado e acabou atrasando a audiência prevista da ex-executiva da empresa Rebekah Brooks, até sexta-feira passada conselheira delegada da News International, filial britânica da News Corp., e diretora do tabloide “News of the World” numa época em que o periódico usava grampos para obter informações.

Durante seu depoimento, Rupert Murdoch negou qualquer responsabilidade no escândalo das escutas e destacou que tinha se inteirado da magnitude do caso há duas semanas, quando vazaram informações de que também foi grampeado o celular da menina assassinada Milly Dowler, o que chocou a opinião pública.

O magnata de 80 anos, que mostrou aspecto humilde e pareceu ter problemas de audição em algumas ocasiões, disse ter se sentido “impressionado, horrorizado e envergonhado” pela intromissão no telefone de Milly Dowler. Ele inclusive visitou a família da menina há poucos dias.

“É o dia em que me sinto mais humilde de toda minha vida”, afirmou, pouco após o início do interrogatório, no qual insistiu que não sabia nada do que acontecia em seu periódico.

Em relação ao seu suposto desconhecimento do que ocorria no “News of the World”, Murdoch assinalou que possui um conglomerado empresarial de mais de 50 mil funcionários, do que se deduz que não está a par de tudo o que acontece. Ele disse ter determinado o fechamento do jornal por causa da “vergonha” que o escândalo representava.

“Não é uma desculpa, mas uma explicação… 53 mil pessoas trabalham para mim”, justificou à Comissão de Cultura, Mídia e Esportes da Câmara dos Comuns do Parlamento britânico.

No depoimento, James Murdoch, de 38 anos, destacou que não estava ciente de novas provas sobre o caso das escutas até o fim de 2010, quando foram iniciados vários julgamentos por denúncias apresentados por algumas das vítimas.

O escândalo das escutas eclodiu em 2006 e culminou com a prisão em 2007 do correspondente da realeza do “News of the World”, Clive Goodman, e seu sócio detetive Glenn Mulcaire, a quem a empresa de Murdoch esteve pagando a assessoria legal.

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