Os tailandeses vão no domingo à urnas para decidir a formação do Parlamento em meio à crise política aguçada pelos distúrbios do ano passado e à sombra de Thaksin Shinawatra, o governante deposto que polarizou a Tailândia.
As eleições, que são um duelo entre o partido que lidera a coalizão de Governo e o principal da oposição, situam o país em uma encruzilhada da qual a Tailândia sairá em direção à reconciliação nacional ou rumo a uma maior desestabilização.
Durante a campanha eleitoral, o primeiro-ministro interino e líder do Partido Democrata, Abhisit Vejjajiva, tentou de forma desesperada impedir a coalizão de sair derrotada para a legenda propulsada por Thaksin, sua fortuna pessoal e a chegada de sua irmã, Yingluck Shinawatra, à política.
Segundo várias pesquisas, o Partido Puea Thai, assessorado por Thaksin desde o exílio, está na frente em intenções de voto do Partido Democrata, o mais antigo da Tailândia e que há mais de uma década não vivenciou nenhum triunfo eleitoral.
Se essas previsões, que dão ao Puea Thai até 250 cadeiras do total de 500 que integram o Parlamento, forem cumpridas, Yingluck, de 44 anos e a mais nova do clã Shinawatra, pode ser a primeira mulher a assumir a chefia do Governo da Tailândia.
“Na Tailândia é preciso uma mulher para governar. Elas têm mais habilidade que os homens e são mais respeitosas”, diz Nithinart Somwasdi, professora de sociologia da Universidade de Ramkhamhaeng de Bangcoc.
O impacto da candidatura de Yingluck que foi no início minimizado pelo Partido Democrata e seus aliados políticos.
Com as mesmas políticas populistas que concederam duas vitórias eleitorais a seu irmão, Yingluck percorreu grande parte do país transmitindo a mensagem de que tem poder no partido, embora o slogan deste seja “Thaksin pensa, Puea Thai faz”.
Enquanto isso, Thaksin continua em seu refúgio em Dubai à espera de uma oportunidade para começar a preparar seu retorno à Tailândia, de onde fugiu para não ter que cumprir pena de dois anos de prisão por corrupção.
Já Abhisit focou sua campanha eleitoral nos prejuízos provocados pelos chamados “camisas vermelhas” da frente antigovernamental aliada do partido que tem Yingluck à frente, e cujos protestos em Bangcoc foram esmagados pelo Exército.
Durante os dois meses de contínuas manifestações, ocasionais explosões de artefatos e enfrentamentos resultaram em uma batalha campal entre os “camisas vermelhas” e soldados que levaram à morte de 92 pessoas e deixaram mais de 1,8 mil feridas.
No entanto, segundo analistas, a estratégia do Partido Democrata parece não ter sido a adequada, já que grande parte do eleitorado está mais preocupada com a alta do preço dos alimentos básicos.
Uma vitória eleitoral para a formação de Thaksin suporá um sério revés para os militares que em 2006 deram o golpe de Estado e as forças sociais que apoiaram a intervenção militar.
Por outro lado, um triunfo do Partido Democrata, que chegou ao poder no final de 2008 graças a um pacto com parlamentares desertores, enfurecerá os “camisas vermelhas”.
O chefe do Exército, general Prayudh Chanocha, reiterou que os militares não têm a intenção de dar um golpe de Estado e, segundo suas próprias palavras, “os militares acreditam que a democracia sob a monarquia constitucional é o melhor dos sistemas”.
As Forças Armadas influenciaram na política tailandesa desde que, em 1932, a monarquia absolutista foi substituída pela constitucional. Desde então, os militares promoveram 18 golpes de Estado.