Os habitantes dos bairros da periferia de Joanesburgo, que já sofriam com os cortes no fornecimento de energia durante o inverno, andam agora mais irritados com o problema que se agravou com a Copa do Mundo. Segundo eles, em dias de jogos a interrupção do abastecimento é mais frequente.
“Todo inverno é assim, mas este ano está ainda pior”, disse Carter Motloung, morador de Katlehong, pequena cidade na região metropolitana de Joanesburgo. “Das 18h as 20h, quando todo mundo está preparando o jantar, a eletricidade é cortada.”
Segundo Motloung, os cortes são tão frequentes que já viraram parte da rotina dos habitantes de onde ele mora. Apesar de sua conta ter subido cerca de 25% em um ano, os problemas continuam os mesmos e, por causa da Copa, ficaram ainda mais graves.
“Dizem que aumentaram a conta de luz para construir novas usinas”, afirma. “Mas nossa energia não dá nem para os estádios. Eles cortam a eletricidade para garantir a iluminação dos jogos.”
Patricia Molefe, que também mora em Katlehong, confirma os cortes. Em entrevista à Agência Brasil, ela nem precisa demandar muito de sua memória para lembrar da última vez que a sua energia elétrica foi cortada. “Ontem”, respondeu. “Fiquei sem energia das 17h30 às 20h.”
Mãe de duas crianças, ela disse que a falta de eletricidade pode prejudicar até a saúde de seus filhos. “Neste frio, sem energia para o aquecedor, não é nada bom para eles”, afirmou, lembrando das temperaturas negativas que foram registradas em Joanesburgo durante o mês de junho.
A empresa responsável pelo abastecimento de energia, a estatal Eskom, negou qualquer problema. Em nota, disse que o fornecimento de energia elétrica na África do Sul não registra interrupções desde maio de 2008. “O sistema tem mantido uma boa performance”.
A Eskom também informou que começou em 2007 a sua preparação para o fornecimento de energia durante a Copa. Por isso, não há risco de falta nem de racionamento durante o torneio.