O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, acusado de crimes sexuais contra uma camareira de um hotel de Nova York, poderia obter liberdade sob fiança já nesta quinta-feira, informou nesta quarta a rede americana “CNN”.
A defesa do político francês busca conseguir um acordo com a promotoria de Manhattan nas próximas horas para que seu cliente saia do complexo penitenciário de Rikers Island o mais rápido possível, conforme indicaram à “CNN” fontes ligadas aos advogados de Strauss-Kahn.
Segundo as mesmas fontes, a defesa pedirá que Strauss-Kahn possa sair “o mais rápido possível” do presídio nova-iorquino de Rikers Island, onde está preso desde segunda-feira, para acabar com uma situação que está sendo “negativa para sua saúde” e que representa “uma discriminação”.
A “CNN” indica que os advogados do diretor-gerente do FMI consideram vital preparar sua defesa trabalhar pessoalmente com seu cliente, e acreditam que há grande probabilidade de que este seja libertado pagando fiança nesta quinta-feira, embora sob estritas medidas de segurança, como usar um bracelete eletrônico que controle seus movimentos.
Strauss-Kahn, também chamado pela imprensa francesa de DSK, foi detido no sábado acusado de crimes sexuais contra uma camareira de um hotel em Nova York, onde se hospedava. Dois dias depois, foi acusado na Justiça por sete crimes, pelos quais poderia ser condenado a uma pena de 15 a 25 anos de prisão.
“A ideia de que este homem esteja nas ruas provoca uma profunda preocupação a minha cliente”, indicou também à “CNN” Jeffrey Shapiro, advogado da suposta vítima, após conhecer a notícia.
Shapiro detalhou que sua cliente, identificada pela imprensa francesa como Nafissatou Diallo, está “muito preocupada sobre sua segurança, sobre o que este homem é capaz de fazer e o que poderia lhe acontecer”.
“Acho que, se este homem não apresenta ameaça de fuga, quem o faz?”, perguntou-se o advogado, que confirmou que sua cliente compareceu nesta quarta-feira ao grande júri em Nova York, mas evitou dar detalhes sobre seu depoimento na Justiça “para não prejudicar o caso”.
Tal como tinha confirmado Shapiro anteriormente à imprensa, a suposta vítima, uma imigrante africana de 32 anos da Guiné, muçulmana, viúva e mãe de uma adolescente, negaria perante o grande júri qualquer consentimento em ter relações sexuais com o político francês.
O advogado assinalou que, quando sua cliente prestasse depoimento aos membros do júri e contasse sua própria história, eles entenderiam que alegações da defesa de que houve sexo consentido não são verdadeiras e que “não houve nada de mútuo acordo no quarto desse hotel”.
Alguns meios de comunicação americanos já falaram sobre a possibilidade de o político francês ter sido vítima de um complô. Um deles é a revista “Vanity Fair”, que publica nesta quarta um artigo intitulado “Straus-Kahn: Depredador ou vítima de complô?”, no qual indica que o caso poderia ser “roteiro de um thriller” internacional de Hollywood, “caso se provasse que as acusações são falsas”.