A Justiça americana determinou nesta sexta-feira que o ex-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI) Dominique Strauss-Kahn fosse transferido do presídio de Rikers Island para um centro de segurança vigiado, já que, após receber pagar fiança e receber liberdade condicional, não pôde se hospedar no apartamento que pretendia.
Os advogados de Strauss-Kahn já fizeram o pagamento em dinheiro da fiança de US$ 1 milhão e dos outros US$ 5 milhões solicitados como garantia para que o réu ficasse em prisão domiciliar, além de entregarem o passaporte e outros documentos de viagem do economista francês.
Strauss-Kahn, no entanto, ainda não dispõe de um imóvel em Nova York para cumprir as estritas condições impostas pelo juiz Michael Obus. Por isso, o réu foi levado ao centro de segurança, localizado no sul de Manhattan, próximo ao Marco Zero – onde ficavam as Torres Gêmeas.
DSK – como é conhecido na imprensa francesa – foi preso no fim de semana passado, acusado por uma camareira de tentar estuprá-la no hotel onde ela trabalha e ele estava hospedado, em Nova York. Ele foi indiciado por sete crimes, entre os quais tentativa de estupro contra a camareira, uma imigrante africana de 32 anos.
Essas acusações, que Strauss-Kahn negou ao apresentar sua renúncia do FMI em carta, implicam em penas de 3 a 25 anos, conforme sua importância. Segundo fontes da Justiça, se considerado culpado no julgamento que começa dia 6 de junho, poderia ser condenado a até 74 anos de prisão.
A família do ex-ministro de Economia da França não conseguiu ainda alugar uma casa onde o réu pudesse cumprir a prisão domiciliar decretada pelo juiz. A esposa de DSK, a jornalista franco-americana Anne Sinclair, tinha alugado um apartamento de luxo em Manhattan por US$ 14 mil mensais, mas, quando os proprietários e vizinhos souberam quem seria o inquilino do imóvel, desfizeram o contrato.
Essa situação levou o juiz Obus a determinar que o economista francês, de 62 anos, fosse transferido de Rikers Island a uma residência temporária vigiada no sul de Manhattan, onde ficará recluso até que sua família consiga um imóvel para ele.
Segundo os autos da acusação, Strauss-Kahn só poderá sair desse centro para as audiências na Justiça, entrevistas médicas ou atos religiosos semanais, sempre avisando às autoridades com antecedência. No entanto, ele está proibido de deixar o recinto entre 22h e 6h.
Um porta-voz do tribunal a cargo do caso disse que o juiz “assinou o recebimento da fiança com dinheiro e do bônus de garantia”.
Strauss-Kahn, que até uma semana atrás era considerado um dos homens mais poderosos do mundo, recebendo tratamento de chefe de Estado, passou os últimos dias preso em uma cela de 12 metros quadrados em Rikers Island. Agora em prisão domiciliar, ele terá de usar uma tornozeleira eletrônica com GPS para que seus movimentos sejam controlados, além de ser filmado 24 horas por dia.
As medidas de segurança privada – realizadas pela empresa Stroz Friedberg, segundo os documentos da corte – serão custeadas pelo próprio Strauss-Kahn podem chegar a US$ 200 mil por mês, segundo estimativas de analistas.
Até renunciar nesta quinta-feira, DSK tinha salário anual de quase US$ 600 mil, além de outras despesas pagas. O agora ex-diretor-gerente receberá uma aposentadoria anual de US$ 250 mil do FMI.
O político francês foi detido no último dia 14 no aeroporto John F. Kennedy, em Nova York, quando já estava sentado em sua poltrona no avião que o levaria a Paris.
Segundo as condições da liberdade condicional, Strauss-Kahn não poderá receber mais de quatro visitas por dia ao mesmo tempo no lugar onde morar, caso não sejam pessoas de sua família.
A suposta vítima, um imigrante guineana de 32 anos, viúva e mãe de uma adolescente, declarou na quinta-feira ao grande júri que foi agredida sexualmente por DSK, ao passo que negou que tivessem mantido sexo de mútuo acordo, tal como tinha deixado entender a defesa do francês.