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SpaceX quer lançar nova versão do foguete Starship nesta terça (19)

Já faz um tempo desde o último lançamento de um protótipo da espaçonave com a qual a SpaceX espera viabilizar o plano da Nasa de colocar astronautas na superfície da Lua até 2028

Redação Jornal de Brasília

18/05/2026 8h25

Foto: Sergio Flores / AFP

Foto: Sergio Flores / AFP

SALVADOR NOGUEIRA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Após meses de atraso, a SpaceX finalmente está pronta para realizar o primeiro voo de teste da sua terceira versão do veículo Starship. O maior foguete do mundo está maior do que nunca (124 metros com as últimas atualizações) e deve decolar a partir desta terça-feira (19) de Starbase, a instalação da companhia em Boca Chica, no Texas, próximo à divisa com o México. A janela para a tentativa se abre às 19h30 (de Brasília).

Já faz um tempo desde o último lançamento de um protótipo da espaçonave com a qual a SpaceX espera viabilizar o plano da Nasa de colocar astronautas na superfície da Lua até 2028. O mais recente, décimo primeiro voo integrado do propulsor Super-Heavy (o primeiro estágio) com um Starship (o segundo estágio), aconteceu em 13 de outubro do ano passado, com bons resultados, encerrando o protocolo de testes do chamado Bloco 2, versão anterior do veículo.

Naquela ocasião, a empresa declarava realizar o primeiro voo do Bloco 3 em janeiro, mas o Super Heavy que faria essa missão sofreu danos em um teste em solo. Ademais, a pressão sobre a companhia para apresentar evolução maior de voo a voo levou a uma mudança de estratégia, com a redução da cadência dos testes.

O primeiro voo do Bloco 3 passou ao começo de março, depois ao começo de abril, e agora parece finalmente prestes a ocorrer, na segunda metade de maio.

Um ensaio molhado com o veículo (em que ele é totalmente abastecido com uma contagem regressiva simulada idêntica à que seria realizada antes de um voo) foi bem-sucedido na segunda-feira passada (11), abrindo caminho para uma tentativa de lançamento a partir do desta terça (19).

TUDO NOVO E MAIS DO MESMO

O perfil do teste que deve acontecer a partir de uma nova plataforma construída pela SpaceX em Starbase segue o padrão dos últimos voos e até mais modesto que alguns dos esforços anteriores.

O Starship será colocado numa trajetória “quase orbital”, que o levará a uma reentrada na atmosfera cerca de uma hora após o lançamento, sobre o oceano Índico.

O Super Heavy, em contraste com outros voos, não tentará um retorno à plataforma, nem será recuperado, e fará um pouso controlado no golfo do México.

Durante o trajeto espacial, o Starship lançará 22 simuladores de satélites Starlink. Não são equipamentos reais, mas dois deles terão câmeras para fotografar o escudo térmico do veículo antes de sua reentrada.

Por fim, a espaçonave tentará controlar seu pouso no Índico, mas também não há planos para que ela seja recuperada ou reutilizada.

Tudo isso já foi feito no décimo primeiro voo. A ideia é demonstrar as mesmas capacidades com a nova versão do foguete, atualizada.

“A meta primária do voo de teste será demonstrar cada uma das novas peças no ambiente de voo pela primeira vez, com cada elemento da arquitetura do Starship trazendo redesenhos significativos para permitir reutilização total e rápida que incorporam aprendizados de anos de desenvolvimento e testes”, escreveu a companhia ao apresentar a missão.

Entre as novidades mais significativas estão o aumento dos tanques de propelente (que tornaram o veículo maior), a adoção de novas versões dos motores Raptors nos dois estágios com maior capacidade de propulsão e a instalação de uma nova estrutura interestágios reutilizável —trata-se de um anel que permite o acendimento do segundo estágio instantes antes da separação com o primeiro, procedimento conhecido como “hot staging”. O Super Heavy também conta agora com três (e não mais quatro) aletas gradeadas que ajudam a conduzir o propulsor pela atmosfera de volta ao solo para reuso.

A companhia trata o Bloco 3 do Starship como um veículo pronto e, embora novas atualizações possam vir a ocorrer, espera qualificá-lo para realizar em breve missões de fato orbitais, com o lançamento de satélites da constelação Starlink. Será o primeiro passo para conduzir os testes essenciais que viabilizarão as futuras missões lunares tripuladas.

Até o fim deste ano, a SpaceX espera demonstrar a capacidade de reabastecer o Starship em órbita, procedimento essencial para que ele possa servir como módulo lunar no programa Artemis, da Nasa, a partir da quarta missão. A empresa também corre para preparar, até o fim do ano que vem, uma versão do veículo que possa viabilizar a recém-reformulada Artemis 3.

A missão pretende testar, em órbita terrestre baixa, a integração entre a cápsula Orion (que ja voou nas missões Artemis 1 e 2) e o Starship (além do Blue Moon Mk. 2, outro módulo lunar desenvolvido pela empresa Blue Origin que pode acabar sendo usado para a Artemis 4 no lugar do Starship, se estiver mais maduro). Antes que qualquer um dos módulos lunares seja usado para levar astronautas à Lua, as companhias precisarão demonstrar também um pouso e uma decolagem lunares não tripulados.

Parece muito trabalho a ser realizado em meros dois anos e meio, a fim de permitir que a Nasa coloque seus astronautas na superfície lunar até o fim de 2028. E é. Não está claro que esse cronograma seja realizável, e a própria SpaceX admitiu que não espera ter o Starship Lunar pronto para o teste da Artemis 3 antes do fim de 2027. Mas a agência espacial americana está apertando o passo para torná-lo exequível, e as empresas parceiras precisam fazer o mesmo. Um bom começo será um voo bem-sucedido do Starship nesta semana. A conferir.

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