
Plagiando Neil Amstrong, “um grande passo para a humanidade” foi realizado nesta quarta-feira (12). A ambiciosa operação da Agência Espacial Europeia (ESA) para pousar uma sonda na superfície de um cometa em órbita foi um sucesso absoluto.
Às 14h (horário de Brasília), a sonda Philae, destacada da nave “Rosetta” – que orbita o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko desde agosto –, aterrisou após uma viagem de uma década pelo sistema solar. O acontecimento traz a promessa de novas percepções sobre o que forma os cometas e como eles se comportam.
Diversos sites científicos acompanhavam as reações da equipe ao vivo. No momento do pouso, as comemorações foram enfáticas. “Estamos lá! Philae está conversando com a gente!”, disse o gerente de Aterrisagem, Stephan Ulmaec. “Os momentos silenciosos de tensão foram interrompidos por instantes de excitação “, descreveu o NY Times.
Robô
Philae, que tem o tamanho de uma pequena geladeira, deveria pousar numa área relativamente plana com cerca de 550 metros de diâmetro, longe de fendas profundas, grandes rochedos e picos afiados.
A gravidade do cometa é muito baixa. Para evitar que o robô batesse e voltasse ao espaço, a sonda levava um par de arpões, desenhados para disparar imediatamente e fixar o artefato ao solo. Um propulsor no topo do robô deveria empurrar simultaneamente o robô para ajudar na ancoragem, mas os cientistas descobriram durante a noite que ele não funcionaria e que os arpões seriam os únicos responsáveis pela aterrissagem.
A partir de agora, onze instrumentos do robô coletam informações que serão enviados durante 64 horas, prazo em que a bateria do equipamento acaba. Depois, painéis solares vão recarrega-las permitindo o envio de diversos dados nos próximos meses.
Cometas
Compostos por gelo muito antigo, poeira e outros materiais, os cometas são objetos da curiosidade científica porque sobrevivem praticamente intactos desde os primeiros dias do sistema solar, mais de 4,6 bilhões de anos atrás.
Como os cometas carregam água e moléculas orgânicas, os cientistas também esperam que a missão “Rosetta” forneça informações sobre se eles podem ter trazido água para a Terra e, assim, possivelmente ter dado o pontapé inicial à vida no planeta.

