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Mundo

Sociedade indiana protesta contra a corrupção no País

Arquivo Geral

08/06/2011 13h59

As greves de fome midiáticas protagonizadas nos últimos dias por líderes espirituais na Índia refletem uma crescente tendência da sociedade indiana de deixar de tolerar a corrupção.

Atualmente, o ativista Anna Hazare protagoniza uma greve de fome, mas no sábado passado foi o polêmico mestre de ioga Baba Ramdev que reuniu milhares de seguidores no centro de Nova Délhi para protestar contra a corrupção e a lavagem de dinheiro.

“As pessoas não importam, as causas sim, e estes protestos servem para que os indianos sintam que é possível acabar com os corruptos”, afirmou à Agência Efe Anupama Jha, diretora da Transparency International na Índia.

Essas formas de protesto evidenciam o grande descontentamento de um país castigado por enormes escândalos de corrupção que se sucedem incessantemente.

“A corrupção foi tão habitual na Índia que acabou se transformando em algo que já quase nem vemos, mas os protestos recentes podem estar marcando uma mudança de tendência”, disse Anupama.

Um dos maiores escândalos de corrupção dos últimos tempos foi o relativo à concessão de licenças de telefonia celular 2G, que já levou à prisão, entre outros, o ex-ministro de Telecomunicações Andimuthu Raja.

A divisão das concessões no início de 2008 levantou suspeitas pela baixa receita gerada, de cerca de US$ 350 milhões pagos por nove companhias, em comparação aos US$ 14,5 bilhões obtidos há um ano no leilão da tecnologia 3G.

Segundo a Auditoria Geral indiana, a divisão de 2008 representou perdas que poderiam chegar a US$ 40 bilhões.

“O problema é que muitos políticos e altos funcionários do país têm a sensação de que nada vai lhes acontecer, independente do que façam, portanto é importante” que os protestos contra a corrupção “mudem essa ideia”, afirma Anupama.

O outro grande escândalo recente foi a cassação e a posterior detenção de Suresh Kalmadi, principal responsável pelos Jogos da Commonwealth de outubro de 2010, que a Índia recebeu como uma oportunidade de mostrar ao mundo sua imagem de país moderno.

Antes do início da competição, um organismo de controle desvelou irregularidades em uma dúzia de projetos de instalações e, por causa disso, dois diretores foram sancionados e outro renunciou. Já Kalmadi foi cassado em janeiro passado e detido no final de abril.

Uma das grandes reivindicações das organizações e dos ativistas que lutam contra a corrupção é a criação de um comitê independente anticorrupção com amplas competências no assunto.

A luta do atual gabinete contra os corruptos sofreu um duro revés quando a Corte Suprema declarou ilegal, há três meses, a nomeação do chefe do atual organismo anticorrupção, P.J. Thomas, por sua suposta relação com uma trama corrupta de 1992.

“Embora a mentalidade colonial siga em parte, nos últimos anos parece que nos demos conta de que podemos pedir satisfação aos governantes, e os protestos ajudam a impulsionar essa ideia e a denunciar os abusos”, concluiu Anupama.

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