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Mundo

Sociedade civil rejeita agenda da COP17 por excluir gênero

Organizações alertam para risco de um resultado tecnocrático e distante das populações mais afetadas pela desertificação e pela seca.

Redação Jornal de Brasília

19/08/2026 8h54

cop17

cop17- Foto: © ASA / Divulgação

Organizações da sociedade civil manifestaram decepção com a agenda oficial da 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), em Ulaanbaatar, na Mongólia, após o texto deixar de fora temas de gênero e participação social.

O Civil Society Organization (CSO) Panel, que reúne cerca de 1,2 mil organizações no mundo, rejeitou o documento e afirmou estar “chocado e profundamente preocupado”. Segundo o grupo, a sinalização dos governos é de priorização de aspectos técnicos e econômicos, em detrimento dos impactos sociais da desertificação e da seca.

Para as organizações, o risco é de que o resultado final da conferência seja tecnocrático e distante da realidade das populações mais afetadas pelos problemas da terra. Em nota, o CSO Panel afirmou que comunidades locais, povos indígenas, agricultores, pastores, mulheres, jovens, pesquisadores e organizações da sociedade civil trazem conhecimento, experiência e soluções dos territórios onde a degradação do solo, a desertificação e a seca são enfrentadas diariamente.

As entidades também defenderam que as decisões no evento precisam ser coletivas, e que políticos, cientistas e empresas não podem enfrentar sozinhos problemas que atingem milhões de pessoas.

Outro ponto criticado foi a ausência, no texto oficial, de mecanismos para integrar melhor as três convenções da ONU sobre meio ambiente: a da Terra (UNCCD), a da Biodiversidade (CBD) e a do Clima (UNFCCC). Especialistas defendem essa aproximação como forma de tornar as ações mais efetivas.

As três convenções nasceram a partir da Rio 92. No ano passado, durante a 30ª Conferência sobre Mudanças Climáticas (COP30), líderes das três convenções lançaram a Declaração Conjunta de Belém sobre as Convenções do Rio, que destacou que as crises de clima, biodiversidade e degradação do solo estão interligadas e que tratá-las de forma isolada prejudica o desenvolvimento sustentável e a eficácia global das medidas de proteção ambiental.

A Agência Brasil acompanha a COP17 da Desertificação diretamente da Mongólia. A viagem é uma parceria com a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), que selecionou seis repórteres de diferentes continentes com uma bolsa de jornalismo para cobrir a conferência.

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