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Mundo

Sindicatos portugueses calculam adesão de 75% à greve

Arquivo Geral

24/11/2010 18h35

Cerca de 3 milhões de trabalhadores portugueses (75% da população ativa) aderiram nesta quarta-feira à greve geral no país, em protesto pelas medidas do Governo socialista de combate à crise, segundo dados dos dois grandes sindicatos do país.

Em entrevista coletiva conjunta, os líderes da Confederação Geral de Trabalhadores de Portugal (CGTP, comunista) e da União Geral de Trabalhadores (UGT, socialista) declararam-se satisfeitos pelo sucesso da greve e pela força que ela dá para eles reivindicarem melhoras sociais e uma mudança de política econômica.

Embora o Governo tenha minimizado o impacto da greve ao afirmar que contou com pouca adesão no setor privado, o secretário-geral da CGTP, Manuel Carvalho da Silva, ressaltou que não houve transporte, nem atividade nos portos, aeroportos ou tribunais.

O secretário de Estado da Administração Pública, Gonçalo Castilho, calculou que apenas 20% dos funcionários estatais aderiram à greve e a ministra de Trabalho portuguesa, Helena André, afirmou que nas empresas privadas a greve passou despercebida e que o consumo nacional de eletricidade foi o habitual.

O secretário-geral da CGTP ressaltou, no entanto, que a fábrica da Volkswagen – a maior de Portugal com 9 mil trabalhadores – e os estaleiros do norte do país ficaram inativos.

Ele também destacou a “identificação da sociedade portuguesa com a greve e suas causas” e que a paralisação desta quarta-feira foi a de “maior impacto” já realizada em Portugal.

O secretário-geral da UGT, João Proença, habitualmente menos crítico com o Governo socialista, também qualificou a greve como “histórica” e ressaltou a unidade demonstrada pelo movimento sindical, tanto entre as grandes centrais quanto entre as organizações independentes.

A UGT e a CGTP não tinham convocado uma greve conjunta desde 1988, afirmou ele, quem acrescentou que a paralisação desta quarta-feira contou com a adesão de 75% da população ativa.

Proença pediu ao Executivo de José Sócrates que dê prioridade ao crescimento do emprego e afirmou que “o déficit é importante, mas não é tudo”.

Os dirigentes dos dois sindicatos manifestaram seu interesse de se reunir com o Governo para negociar uma mudança na política social e econômica e consideraram “inaceitável” que, apesar da crise, o Executivo questione a negociação coletiva, os aumentos salariais e os subsídios sociais.

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