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Sindicatos e aposentados retomam protestos contra ajuste de Milei

Quase metade dos 7,8 milhões de aposentados argentinos recebem a aposentadoria mínima e um bônus, o que equivale a US$ 324 (R$ 1.645), ou menos de um terço da cesta básica do idoso.

Redação Jornal de Brasília

22/07/2026 20h03

procedural hearing in new york for former venezuelan president nicolas maduro and wife cilia flores

Foto por TIMOTHY A. CLARY / AFP

Milhares de integrantes de sindicatos, movimentos sociais e partidos de esquerda se juntaram nesta quarta-feira (22) a aposentados para protestar em Buenos Aires contra o ajuste do governo argentino, na primeira manifestação política após a Copa do Mundo de futebol.

Grupos de aposentados marcham semanalmente até o Congresso argentino para exigir melhores pensões e acesso a medicamentos. “Vinte por cento estão ficando milionários, e 80% continuam na mesma, com um salário baixo”, disse à AFP o manifestante Raúl Maldonado, 69.

Quase metade dos 7,8 milhões de aposentados argentinos recebem a aposentadoria mínima e um bônus, o que equivale a US$ 324 (R$ 1.645), ou menos de um terço da cesta básica do idoso.

Somaram-se hoje à manifestação os sindicatos ligados à Confederação Geral do Trabalho (CGT), principal central do país, cujo secretário de Seguridade Social, Hugo Benítez, destacou que a Argentina atravessa “uma situação crítica de todo o trabalho, sem falar da indústria nacional”.

As reivindicações contrastam com o otimismo do governo pelo superávit fiscal e a melhora da classificação de crédito do país. “Estamos criando as condições para que o emprego, os salários e a renda de toda a população melhorem”, afirmou hoje o vice-ministro da Economia, José Luis Daza.

A oposição e setores sociais denunciam que o sucesso no combate à inflação teve um custo em termos de perda de empregos e queda no consumo. Horacio Jerez, secretário do sindicato da indústria dos calçados, apontou que “o macroeconômico é uma coisa e a vida social cotidiana dos argentinos é outra. Há uma falta de trabalho enorme.”

Jerez citou a abertura das importações e a queda no consumo como causas do fechamento de fábricas, e ressaltou que, devido à inflação anual de 33,5%, “o poder de compra diminui”.

Também houve passeatas hoje em diferentes pontos do país contra a suspensão de programas sociais. Confrontos com a polícia foram relatados na periferia sul de Buenos Aires.

© Agence France-Presse

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