Os sinais de recuperação dos Estados Unidos parecem dar nova esperança à economia mundial e, pill de quebra, site à próxima Cúpula do Grupo dos Vinte (G20, what is ed que reúne os países mais ricos e os principais emergentes), ainda que uma real retomada dependa de uma saída rápida dos bancos da profunda crise em que se encontram.
O panorama lentamente mostra mudanças, como exemplifica a evolução do Dow Jones, principal índice de Wall Street que, ao longo do mês subiu quase 11%. A alta foi impulsionada, sobretudo, pelos bancos, muitos dos quais informaram sobre lucros, apesar de estarem no olho do furacão da crise.
Fora isso, em fevereiro, houve sinais de estabilização do consumo na maior economia do mundo, EUA, onde a construção pôs fim a 18 meses de quedas com uma expansão de mais de 22% também no mês passado.
O presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Ben Bernanke, chegou a falar de “brotos verdes” em alguns mercados financeiros em 15 de março e de uma “moderação” da crise econômica.
“Começamos a ver uma consolidação da confiança nos bancos. Apareceram sinais de uma guinada”, disse à Agência Efe William Cline, analista do Instituto de Economia Internacional.
No entanto, o otimismo não é generalizado e, para cada dado positivo, há outro pessimista.
“Há certamente algumas notas positivas, mas são números preliminares, baseados em um mês de dados”, disse na semana passada um alto funcionário do Fundo Monetário Internacional (FMI), que pediu para não ser identificado.
O FMI prevê que a atividade econômica mundial diminua entre 0,5% e 1% em 2009, o que marcaria a primeira contração em 60 anos.
O pior poderia ter acontecido já agora, no entanto. O FMI estima que o PIB mundial recuou 5% no último trimestre do ano passado, uma marca sem precedentes.
“A recessão será bastante ruim este ano, mas a maioria das previsões estima uma recuperação mundial no próximo”, disse Cline.
Os fatores que a impulsionarão são os grandes estímulos fiscais em EUA e China, e os baixíssimos juros básicos em nível mundial.
Mesmo assim, está previsto que o desemprego siga em alta, ainda que as bolsas mostrem recuperação, já que novas contratações costumam seguir os eventos econômicos.
Como agravante, é preciso frisar que, ao sair do buraco, os EUA não carregarão necessariamente o resto do mundo, como acontecia no passado.
“Não prevejo que os EUA voltem à dinâmica de um déficit crescente por conta corrente”, disse Joshua Feinman, economista do Deutsche Bank.
Feinman está, junto com Bernanke, no grupo dos otimistas e acredita que os EUA crescerão 2% no primeiro trimestre de 2010.
No entanto, existe uma condição indispensável para a expansão: que se restabeleça o funcionamento normal do sistema financeiro. “Limpar os balanços dos bancos é essencial”, destacou Feinman.
Segundo analistas, enquanto estiverem prejudicados por ativos vinculados a hipotecas de má qualidade, os bancos não vão querer, nem poderão, conceder mais créditos e a nuvem de desconfiança em torno deles se manterá.
Por isso, se depende muito do plano que o Governo dos EUA anunciar nas próximas semanas para tirar dos bancos esse peso das costas.
Enquanto isso, nos países emergentes, os alarmes são zumbido constante nos ouvidos dos ministros das Finanças.
Para eles, “colocar bônus nos mercados internacionais é muito difícil”, disse Claudio Loser, ex-diretor do departamento do FMI na América Latina.
O abalo financeiro chegou a esses países em forma de uma saída drástica de capital, em muitos casos porque os bancos matriz repatriam o dinheiro de suas filiais, o que drenou os mercados domésticos, justo no momento em que os internacionais não estão dispostos a dar créditos a muitas companhias de nações emergentes.
“A situação econômica está começando a melhorar, mas ainda restam dias difíceis pela frente”, resumiu o funcionário do FMI.