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Sheinbaum acusa setores dos EUA de interferência no México

Presidente mexicana diz que campanhas midiáticas e pedidos de extradição sem provas configuram ingerência, e afirma que cooperação com Washington não pode significar submissão.

Redação Jornal de Brasília

01/06/2026 17h24

A presidente do México, Claudia Sheinbaum

Foto: Alfredo ESTRELLA / AFP

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, acusou setores do governo dos Estados Unidos de tentar interferir nos assuntos internos mexicanos por meio de campanhas midiáticas e desinformação. Em discurso que marcou os dois anos de seu mandato, ela afirmou que o objetivo seria influenciar as eleições de 2027, que renovam a Câmara mexicana e os governos estaduais.

Sheinbaum disse acreditar que Donald Trump não esteja por trás dessas supostas ingerências, mas sim setores do governo da Casa Branca, em parceria com grupos conservadores dentro do México. Em coletiva nesta segunda-feira (1), ela afirmou que, nas conversas com o presidente norte-americano, ambos costumam expor suas posições e chegar a um acordo.

A presidente também criticou episódios envolvendo autoridades dos EUA. Ela citou o caso de dois agentes da CIA que morreram em um acidente de carro no estado de Chihuahua e disse que eles não tinham autorização para estar no México. Segundo Sheinbaum, nenhum agente estrangeiro pode desempenhar funções que sejam de responsabilidade exclusiva das autoridades mexicanas.

Outro ponto mencionado por ela foi um pedido do Departamento de Justiça dos EUA para extraditar, sem apresentação de provas, dez mexicanos por suposta relação com o narcotráfico, entre eles um governador, um prefeito e um senador. Sheinbaum classificou o episódio como inédito na relação bilateral e questionou se haveria mesmo interesse legítimo de Washington em ajudar o México.

A presidente afirmou que o governo mexicano segue comprometido com o combate à corrupção e ao narcotráfico e citou a queda de 49% nos homicídios dolosos em 20 meses de governo. Ao mesmo tempo, disse que a cooperação com os Estados Unidos não pode significar subordinação.

“Cooperação não significa subordinação, e colaboração não significa submissão”, afirmou, ao defender o respeito à soberania mexicana e ao princípio da não intervenção.

Com informações da Agência Brasil

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