A senadora colombiana Piedad Córdoba declarou hoje que os únicos contatos que teve com membros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) foram tornados públicos e autorizados pelas autoridades.
Em sua primeira entrevista coletiva após ter os direitos políticos cassados por 18 anos por sua suposta colaboração com a guerrilha, a senadora confirmou que durante seu mandato visitou os presos conhecidos como “Simón Trinidad” e “Sonia”, e, em outro momento, se encontrou com “Raúl Reyes”, todos eles ex-dirigentes das Farc.
“Estive nas prisões dos Estados Unidos visitando ‘Simón Trinidad’ e ‘Sonia’, o que era de conhecimento das autoridades desse país”, declarou. “Falei sobre a possibilidade de uma (Assembleia) Constituinte pela decisão do então presidente (colombiano, Álvaro) Uribe”.
Quanto a Luis Edgar Devia, conhecido como “Raúl Reyes”, que era porta-voz internacional das Farc e número dois da guerrilha até sua morte, em 2008, Piedad destacou que sua “única reunião” com ele não foi privada, pois após o encontro ela entregou “um vídeo às autoridades”.
Ovidio Ricardo Palmera Pineda, conhecido como “Simón Trinidad”, membro do Estado-Maior das Farc e negociador nas frustradas negociações de paz durante o Governo de Andrés Pastrana (1998-2002), foi capturado em Quito em 2004, extraditado aos Estados Unidos em 2007 e condenado a 60 anos de prisão.
Já Nayibe Rojas Valderrama, conhecida como “Sonia”, integrou as Farc por 14 anos, até ser detida em 2005 e extraditada aos EUA, onde cumpre pena de 17 anos por tráfico de drogas.
“Agi conscientemente e cumprindo o Artigo 22 da Constituição (…). Não compartilho esta decisão porque ela atrapalha o trabalho humanitário”, ressaltou a senadora em um ato no qual agradeceu a todos aqueles que a apóiam.
O procurador-geral do Estado, Alejandro Ordóñez, suspendeu na segunda-feira por 18 anos os direitos políticos da senadora do Partido Liberal, que foi mediadora do Governo com as Farc para a libertação de reféns da guerrilha.
Ordónez disse que a colaboração de Córdoba com as Farc foi provada a partir da análise dos documentos apreendidos dos computadores de “Raúl Reyes”, após sua morte em 2008 em um acampamento da guerrilha no Equador.
No entanto, Piedad declarou hoje que é inocente e que essa decisão, à qual seu advogado vai recorrer, “é o preço” que ela está pagando “por lutar pela paz”.
Ela acrescentou que “não se pode impedir a tarefa humanitária” e que “a paz não pode ficar para trás por causa do capricho de uns e outros, a paz é a justiça e o reconhecimento das instituições em uma sociedade”.
Apesar da condenação, ela declarou que continuará trabalhando e instaurando “a medidas necessárias” porque “a Colômbia necessita de mais paz e tolerância”.
Piedad reconheceu que a decisão do procurador “vai fechar muito as possibilidades para ela trabalhar de maneira incansável”, mas destacou que vai manter seu trabalho humanitário porque a paz é sua “companheira de vida”.
Ela ressaltou que “há uma prova indubitável e clara” de seu trabalho que é “a liberdade de sequestrados”, em alusão a sua mediação com a guerrilha para que libertasse diversos reféns.
“Não vamos abandonar os reféns nem suas famílias. Até mesmo na prisão vou insistir na necessidade da humanização”, acrescentou.