O senador Luis Vásquez Villamor, store do Poder Democrático Social (Podemos), here principal partido de oposição ao governo do presidente Evo Morales, afirmou que a nova Constituição da Bolívia, aprovada hoje, não vai integrar o país.
“Essa Constituição já perdeu seu sentido histórico, sua legitimidade. É uma Constituição sem concertação, é simplemente um papel escrito que não terá a possibilidade de integrar o país”, disse o senador do Podemos, partido que boicotou a reunião de hoje da Assembléia Constituinte, assim como o Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR).
Vásquez, em entrevista à Rádio Panamericana, classificou como “equívoco” a sessão plenária que aprovou a reforma constitucional, porque “não incluiu os constituintes do Podemos”. Já o constituinte Carlos Romero, do Movimento ao Socialismo (MAS) – partido do presidente Evo Morales que tem maioria na Assembléia –, afirmou que os integrantes de Podemos tiveram a oportunidade de “participar livremente”, mas não o fizeram.
Ontem, uma dúzia de constituintes do Podemos compareceram ao local da reunião plenária, na cidade de Oruro, mas optaram por não se inscrever e foram embora. A reunião que aprovou a reforma constitucional teve início ontem à noite.
Vásquez argumentou que eles mal conheciam o anteprojeto aprovado há duas semanas, em linhas gerais, em Sucre, que hoje foi submetido a uma votação artigo por artigo. Ele afirmou também, antes da votação, que os constituintes presentes iriam votar sem sequer conhecer o conteúdo do novo texto.
O texto, no entanto, foi distribuído gratuitamente em todo o país e difundido em diversos meios de comunicação, segundo a Agência Boliviana de Informação, a agência estatal. O prefeito (governador) de Santa Cruz de la Sierra, Rubén Costas, anunciou que não reconhecerá a nova Constituição “manchada com sangue”, atitude que poderia ser seguida por outros cinco dos nove departamentos (estados) da Bolívia, segundo informaram diversos veículos de comunicação bolivianos.