Sarkozy, durante todo o seu discurso na cúpula de segurança alimentar da Organização para a Agricultura e a Alimentação (FAO), insistiu também na necessidade de incentivar a agricultura local dos países em desenvolvimento. O grupo internacional de cientistas proposto pelo presidente francês teria como função estabelecer um diagnóstico objetivo sobre a situação de segurança alimentar mundial, analisar a evolução dessa questão por áreas e produtos e alertar para os riscos de crise. O conjunto de especialistas seria um dos pilares de outra das propostas de Sarkozy: a criação de uma Parceria mundial para a Alimentação e a Agricultura, que inclua um grupo dedicado a definir uma estratégia mundial para garantir a segurança alimentar e uma facilidade financeira internacional. Sarkozy anunciou que seu país destinará, em nível bilateral, um bilhão de euros nos próximos cinco anos às nações da África Subsaariana para o desenvolvimento agrícola, e que em 2008 dobrará sua ajuda alimentícia para cerca de 60 milhões de euros. O presidente francês dedicou-se também a destacar a importância do desenvolvimento rural e da agricultura local nos países pobres para fazer frente à alta de preço dos produtos agrícolas e garantir a segurança alimentar. “Não haverá paz nem estabilidade” se todos os recursos necessários a favor do desenvolvimento da agricultura local dos países mais pobres não forem garantidos. Isso deve ser “uma prioridade absoluta”. Sarkozy pediu a todos que atuem imediatamente, pois ninguém pode aceitar uma situação na qual a cada 30 segundos uma criança morre de fome e em que 25 mil pessoas falecem diariamente por falta de alimentos. A segurança alimentar nos países em desenvolvimento deve ser alcançada com o incentivo às agriculturas locais e a ajuda para que estas sejam modernas, o que é “a única solução duradoura e responsável”, embora seja a que mais demande trabalho. Além disso, o presidente francês falou sobre um dos assuntos sobre a mesa da cúpula: o uso de biocombustíveis – sobre os quais disse que agora a prioridade deve ser o desenvolvimento dos de “segunda geração”, que no mesmo hectare podem produzir cinco vezes mais. O chefe de Estado francês dispensou seu discurso escrito e fez uma versão reduzida do mesmo, depois que o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, pediu aos oradores que demorassem no máximo cinco minutos em seus pronunciamentos. Sarkozy brincou então e disse que havia se esquecido “do terceiro desafio”: o de falar do problema da fome no mundo em apenas cinco minutos.
|