A Rússia identificou pelo radar instalado em Gabalá, no Azerbaijão, que o Irã lançou hoje mísseis de longo alcance da classe Shahab-3, informou um alto cargo militar russo.
“Os lançamentos realizados pelo Irã foram percebidos pelo radar de Gabalá”, indicou o general Nikolai Rodionov, ex-chefe do sistema russo de aviso sobre ataques com mísseis, à agência “Interfax”.
Para testar os mísseis de longo alcance, entre 1,3 mil e 2 mil quilômetros, o Irã não precisa estar a essa distância para dispará-los, mas sim elevar a altura do lançamento.
Segundo o general, os mísseis de médio alcance Shahab-2, lançados pelo Irã na véspera e projetados para voar entre 300 e 700 quilômetros de distância “podem alcançar o território russo aproximadamente até Saratov, cidade no curso do rio Volga, cerca de 800 quilômetros ao sudeste de Moscou”.
Um especialista militar russo advertiu que o Irã desenvolve novos mísseis de médio alcance, com um rádio de até 5,5 mil quilômetros – o máximo para esta classe – com o que poderia cobrir quase toda Europa e grande parte do território russo.
Além disso, os iranianos “trabalham ativamente em algo que não nos imaginávamos: a produção de mísseis com combustível sólido”, afirmou Vladimir Dvorkin, cientista do Centro de Segurança Internacional do Instituto de Economia Mundial e Relações Internacionais da Academia de Ciências da Rússia.
Dvorkin disse que o míssel com o qual Irã lançou um satélite de 27 quilos poderia alcançar uma distância de até 4 mil quilômetros com sua primeira etapa adaptada para transportar carga explosiva.
Um alto cargo americano informou hoje que os Estados Unidos entregou à Rússia e à China dados de espionagem sobre a segunda planta que o Irã constrói para enriquecer urânio, que confirmariam que Teerã desenvolve seu programa atômico militar.
“Esta informação coloca graves dúvidas sobre as intenções secretas do Irã”, disse o funcionário, do Departamento de Estado americano, a “Interfax” em Washington.
Um analista político russo opinou hoje mesmo que Moscou poderia apoiar a imposição de sanções se Ocidente a convence que Teerã realmente enriquece urânio para fabricar armas nucleares.
“Rússia já está mudando sua postura com relação ao Irã e, a julgar pelas declarações do presidente Medvedev (Dmitri), não podemos descartar que respalde as sanções”, assinalou Alexei Makarkin, diretor-adjunto do Centro de Tecnologias Políticas.