A Rússia se comprometeu hoje a retirar todas as suas forças das zonas adjacentes à Abkházia e à Ossétia do Sul e a aceitar a instalação de observadores da União Européia (UE) em troca de garantias de segurança para essas regiões e do debate internacional sobre sua situação, see em 15 de outubro em Genebra.
“A retirada (das tropas) será realizada dez dias depois do posicionamento nesta região de mecanismos internacionais, website que incluem pelo menos 200 observadores da UE, page o que deverá acontecer no máximo no dia 1º de outubro de 2008″, disse o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev.
O governante fez estas declarações em uma entrevista conjunta com o presidente da França e rotativo da União Européia (UE), Nicolas Sarkozy, após várias reuniões no Castelo Mein Dorf, nos arredores de Moscou.
O presidente russo disse que é necessário “acelerar a alocação de observadores adicionais na Ossétia do Sul e Abkházia em um número suficiente para substituir as forças de paz russas”.
Sobre isso, Sarkozy afirmou que “dentro de um mês acontecerá a retirada total das Forças Armadas russas do território georgiano, à parte da Ossétia do Sul e da Abkházia”.
“Encaminhei ao presidente Medvedev uma carta do presidente (da Geórgia), Mikhail Saakashvili na qual se compromete a não usar a força na Abkházia e na Ossétia do Sul, o que corresponde ao acordo de 12 de agosto”, disse Sarkozy.
O presidente francês chegou à capital russa acompanhado do alto representante para Política Externa e Segurança Comum da UE, Javier Solana, e do presidente da Comissão Européia (CE, órgão executivo da UE), José Manuel Durão Barroso.
“Somos portadores da esperança de 27 países que desejam fé, confiança e boas relações”, disse Sarkozy no início do encontro com Medvedev.
Na coletiva, Medvedev disse que o reconhecimento por Moscou das independências da Ossétia do Sul e da Abkházia tem “caráter irrevogável” e lamentou que a UE não compreenda que essa é a única maneira de garantir a segurança das populações dessas duas regiões separatistas georgianas.
“Penso que, no futuro, a decisão adotada pela Rússia (o reconhecimento da Abkházia e da Ossétia do Sul) será compreensível para um maior número de países, e nosso exemplo será seguido por outros Estados”, acrescentou.
O presidente russo admitiu que ainda há diferenças com a UE na interpretação dos acontecimentos no Cáucaso e lamentou que os 27 países do bloco europeu tenham decidido suspender as negociações com Moscou sobre um novo acordo de cooperação.
No entanto, o chefe do Kremlin afirmou que a postura da UE foi “bastante equilibrada”, ao se levar em conta que havia pontos de vista “exóticos, até extremistas”, entre os líderes dos países-membros do bloco europeu.
Já Sarkozy disse que se os acordos assinados hoje entrarem em vigor, não vê motivos para que as negociações entre a Rússia e a Europa, que estão adiadas, não sejam retomadas em outubro.
“Tudo está muito claro. Queremos cooperação, paz, e dificilmente alguém necessita de confronto entre Europa e Rússia”, disse.
O presidente francês, no entanto, insistiu na postura da UE que a resposta da Rússia na Ossétia do Sul foi “desproporcional” e na condenação ao reconhecimento das independências da Ossétia do Sul e da Abkházia.
“Vamos prestar-lhes (à Abkházia e Ossétia do Sul) respaldo econômico, humanitário e militar”, declarou Medvedev, ao destacar as diferenças com a UE sobre as independências proclamadas pelas duas regiões separatistas georgianas.
Sarkozy deixou claro que “não é a Rússia que deve definir as fronteiras da Geórgia” e que, segundo o direito internacional, a Abkházia e Ossétia do Sul fazem parte do território georgiano.
O presidente francês anunciou que será realizado um debate internacional sobre a Ossétia do Sul e a Abkházia no dia 15 de outubro em Genebra.
“Se vai acontecer um debate internacional em Genebra, quer dizer que há o que discutir”, respondeu Sarkozy à pergunta de um jornalista sobre a possibilidade de a UE reconhecer as independências da Ossétia do Sul e da Abkházia.