A Rússia manifestou hoje seu apoio definitivo à independência da Ossétia do Sul e da Abkházia, sildenafil ao estabelecer relações diplomáticas com as duas regiões separatistas da Geórgia.
Ao mesmo tempo, try Moscou começou a cumprir o acordo recém-alcançado com a União Européia (UE) para a retirada de suas tropas da região de segurança em torno das suas províncias, order ou seja, do território georgiano administrado por Tbilisi.
“Trocamos notas, que representam o estabelecimento de relações diplomáticas entre a Rússia e a Abkházia, e entre a Rússia e a Ossétia do Sul”, afirmou Serguei Lavrov, ministro de Assuntos Exteriores da Rússia.
O chefe da diplomacia russa antecipou que, em breve, a Chancelaria nomeará embaixadores para as duas regiões e, em seguida, abrirá representações diplomáticas nas capitais osseta, Tskhinvali, e da abkhaze, Sukhumi.
Lavrov fez este anúncio depois de se reunir em Moscou com os chefes das diplomacias da Abkházia, Serguei Shamba, e da Ossétia do Sul, Murat Dzhioev, que expressaram seu desejo de, no futuro, estabelecer relações diplomáticas com outros países.
Antes da independência do Kosovo (17 de fevereiro), o próprio Lavrov havia dito que essa proclamação estimularia as aspirações separatistas de muitas outras regiões.
Moscou e as duas regiões georgianas combinaram hoje a “pronta” assinatura de acordos de amizade, cooperação e assistência mútua em casos de agressão externa, similares aos que a URSS assinava com os países-membros do Pacto de Varsóvia.
“A Rússia, a Abkházia e a Ossétia do Sul tomarão todas as medidas a seu alcance para eliminar as ameaças à paz, por meio da prevenção (…) e da resistência à agressão por parte de outros Estados”, destacou Lavrov.
O ministro russo frisou que o artigo 61 da carta de fundação da ONU (sobre a autodefesa coletiva) permite que alguns países saiam em defesa de outros que tenham sido vítimas de uma agressão militar.
O acordo de assistência mútua também abre a possibilidade de a Rússia utilizar infra-estruturas já existentes ou de construir novas instalações militares no território das repúblicas separatistas.
Pouco antes das declarações de Lavrov, o ministro da Defesa russo, Anatoli Serdiukov, disse que Moscou havia acordado com a Abkházia e a Ossétia do Sul o posicionamento de até 3.800 soldados russos em cada uma das duas regiões.
“Não serão tropas de paz, mas um contingente de tropas comuns (…) desdobradas na qualidade de forças estrangeiras a pedido de outra parte para garantir sua segurança”, explicou, mais tarde, o chefe da diplomacia russa.
Essas tropas, acrescentou, “permanecerão por longo tempo”: “Pelo menos a médio prazo, será algo absolutamente necessário para evitar novas agressões”.
Agora, acrescentou Lavrov, é preciso “garantir o normal funcionamento da economia da Ossétia e da Abkházia”, e “a melhora do nível de vida de sua população”.
Poucas horas depois que a Rússia e as regiões separatistas georgianas estabeleceram laços diplomáticos, a agência oficial de notícias russa “Itar-Tass” anunciou sua decisão de abrir escritórios em ambos os territórios.
A reação georgiana não tardou, e a ministra de Assuntos Exteriores do país, Eka Tkeshelashvili, classificou como “ato de ocupação” o passo dado por Moscou.
Paralelamente, as tropas de paz russas começaram hoje a abandonar seus postos de controle na região administrada por Tbilisi, não muito longe da fronteira da Abkházia.
Em seguida, unidades abkhazes começaram a se retirar de Ganmukhuri, ao passo que o estratégico porto de Poti, no Mar Negro, retomou suas operações pela primeira vez em quatro semanas, após a retirada dos blindados russos posicionados nos arredores da cidade.
O chefe do Conselho de Segurança Nacional da Geórgia, Aleksandr Lomaya, cifrou em 24 o número de postos de controle russos na Geórgia.
“Queremos sair o mais rápido possível da Geórgia”, destacou Lavrov.
Segundo o acordo alcançado entre Medvedev e Sarkozy, as tropas russas devem abandonar a região próxima a Poti no prazo de uma semana.
Quanto à faixa de segurança adjacente à Ossétia do Sul e à Abkházia, a Rússia só vai retirar suas tropas nos dez dias seguintes à chegada de uma missão civil da UE e de outra policial da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE).