O ministro de Exteriores da Rússia, Sergey Viktorovich Lavrov, afirmou nesta quarta-feira que o Brasil e a Turquia não participarão das próximas negociações nucleares com o Irã, como foi proposto na véspera por Teerã.
“Não participarão. Não falaremos mais disso. O Conselho de Segurança da ONU reconheceu o sexteto (o grupo conhecido como P5+1, formado por Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia, China e Alemanha) como líder informal para lidar com a solução de todos os aspectos do programa nuclear do Irã”, declarou Lavrov, em entrevista coletiva.
No entanto, o ministro reconheceu que “é evidente que existe um grupo de países interessados em ajudar a solucionar pacificamente este antigo problema. Brasil e Turquia estão entre eles”.
O ministro de Assuntos Exteriores iraniano, Manouchehr Mottaki, falou nesta terça, em Madri, sobre a necessidade de se ampliar as próximas reuniões de negociação sobre seu programa nuclear a outros atores internacionais, como Turquia e Brasil.
Mottaki lembrou que os dois países assinaram em junho, em Teerã, um acordo que prevê o envio de urânio iraniano enriquecido a 3,5% para a Turquia, que será recebido em forma de combustível nuclear a 20% para uso civil.
O chefe da diplomacia iraniana disse que tanto o chamado Grupo de Viena (EUA, França, Rússia) quanto o P5+1, além de Turquia e Brasil, poderiam estar nas negociações.
Por outro lado, Lavrov confia em que o Irã participe das próximas “consultas técnicas” em Viena, nas quais será abordado o início do acordo de troca nuclear.
“Esperamos uma resposta construtiva (…) e que a parte iraniana aceite o convite. A iniciativa de Brasil e Turquia em relação à provisão de combustível para o reator de pesquisa iraniana foi um passo muito conveniente e Rússia o aplaudiu”, disse.
Lavrov espera que o P5+1 realize um encontro em agosto, com vistas a uma reunião ministerial em setembro em Viena.