A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) solicitou hoje ao presidente eleito da Colômbia, Juan Manuel Santos, que rompa com as práticas do governante em fim de mandato, Álvaro Uribe.
Após lembrar que Santos foi ministro da Defesa e herdeiro político do ex-presidente, a RSF acusou os serviços secretos da Colômbia de terem praticado “intercepções selvagens”, passando por campanhas de descrédito sistemático e “propaganda negra”, durante a Presidência de Uribe.
Tais práticas, compiladas em um relatório que a RSF publicou no dia 20, incluem manobras de espionagem contra personalidades e ativistas estrangeiros, como a advogada iraniana e Prêmio Nobel da Paz Shirin Ebadi, o chileno José Miguel Vivanco, diretor para as Américas da organização Human Rights Watch, e vários representantes diplomáticos na Colômbia.
Por isso, a RSF pediu a Santos que se desvincule das ações que a organização pró-direitos dos jornalistas considera “gravíssimas violações dos direitos humanos e das liberdades fundamentais garantidas pela Constituição política de 1991, entre as que figuram a de informar e ser informado”.
Além disso, a RSF insistiu que “a reforma dos serviços de inteligência (da Colômbia) não pode nem deve ser feita sem a desclassificação completa das gravações e documentos compilados pelo Departamento Administrativo de Segurança (DAS) e as demais administrações durante sua caça a jornalistas e defensores dos direitos humanos”.
Ebadi, que viajou à Colômbia durante a Presidência de Uribe para se reunir com associações de famílias das vítimas do conflito, disse estar “comovida com estas revelações” e disposta a levar o caso perante uma jurisdição internacional, lembrou a RSF, com sede em Paris.