A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) elogiou o anúncio da libertação de presos políticos cubanos e pede que se acompanhe de gestos que mostrem que o regime cubano cumpre com seus compromissos em matéria de direitos humanos.
As declarações sobre a libertação gradual de 52 prisioneiros políticos, alguns deles jornalistas, “marcam um avanço positivo, mas não devem ocultar a trágica realidade da situação dos direitos humanos em Cuba”, alerta a organização em comunicado.
“Já era o tempo de o Governo cubano reconhecer, com estas libertações, a injustiça de tais encarceramentos”, segundo a RSF. “Esperamos que o processo de negociação empreendido pela igreja em Cuba permita ao regime castrista cumprir plenamente seus compromissos em matéria de direitos humanos”, acrescenta.
A organização de defesa da liberdade de imprensa ressalta na mesma nota que o “exílio” na Espanha dos dissidentes “não pode constituir uma solução satisfatória humana e politicamente”.
A libertação dos prisioneiros de consciência, acrescenta, deve ser acompanhada do reconhecimento de seu direito a viver em seu país e a defender suas opiniões abertamente, algo que “o regime cubano não está preparado para enfrentar”.
Além disso, a RSF recebe “com alegria” a notícia de que o dissidente Guillermo Fariñas pôs fim à greve de fome que manteve durante mais de quatro meses.
A organização lembra que na ilha caribenha há 167 pessoas privadas da liberdade pelo simples fato de pensar e se expressar de uma maneira diferente de seus dirigentes.
A RSF pede à nova Presidência belga da União Europeia (UE) que dê seguimento aos esforços empreendidos pela Presidência espanhola no marco de um diálogo mais estável com o regime cubano.
Igualmente, “fazemos um chamado à comunidade de países latino-americanos para que empreendam ações conjuntas a fim de lembrar ao regime castrista seus compromissos e deveres em matéria de direitos humanos”.