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Mundo

Rice e Gates viajam à Rússia para tentar reparar crise com Moscou

Arquivo Geral

11/10/2007 0h00

Os secretários americanos de Estado, generic Condoleezza Rice, price e de Defesa, Robert Gates, chegam hoje à Rússia em meio a um momento delicado nas relações entre os dois países, devido às diferenças sobre o Kosovo, o escudo antimísseis americano e o Irã.

As relações entre Estados Unidos e Rússia se transformaram em uma crescente dor de cabeça para a administração do presidente George W. Bush, que no passado chegou a ter total confiança tanto nos vínculos com Moscou quanto no presidente russo, Vladimir Putin.

Agora, a agenda de temas a serem tratados pelos dois secretários do Governo americano na capital russa contém muitos mais assuntos conflituosos do que possíveis acordos.

No que se refere à Europa, Rússia e EUA discordam sobre a possibilidade do Kosovo se declarar independente da Sérvia no dia 10 de dezembro, fato que Moscou não aprova, mas que Washington vê como um progresso para o território, atualmente administrado pela ONU.

Além disso, os militares russos continuam inquietos em relação aos planos do Pentágono de instalar componentes de seu escudo antimísseis em países que faziam parte do antigo Pacto de Varsóvia, o que para Moscou é uma atividade desnecessária.

A Rússia chegou a oferecer aos EUA uma de suas estações de radar mais poderosas, situada no Azerbaijão, como alternativa à instalação programada para a República Tcheca, mas as autoridades americanas rejeitaram a sugestão e pretendem manter o plano anterior.

Além do radar tcheco, o plano inclui a instalação na Polônia, outro antigo membro do Pacto, de uma base com projéteis interceptores.

Para Putin, a situação é tão séria que ameaçou se retirar, no dia 12 de dezembro, do acordo de redução de tropas convencionais na Europa.

Sobre o Irã, a Rússia também descordou das análises e estratégias desenvolvidas pelos EUA e alguns de seus principais aliados ocidentais.

Segundo um artigo do jornalista Seymour Hersh, publicado recentemente na revista “The New Yorker”, a Casa Branca, pressionada pelo vice-presidente americano, Dick Cheney, estaria se preparando para realizar nos próximos meses um ataque “cirúrgico” contra o Irã.

Cheney, assim como os “falcões” da administração Bush e aliados como Israel, consideram que o regime iraniano está tentando se impor com armas nucleares, e que a única forma de detê-lo é com um ataque aéreo em massa contra instalações e forças estratégicas, como a Guarda Revolucionária.

Mas Putin afirmou ontem que, embora Teerã deva ser mais transparente sobre suas atividades nucleares, a Rússia não tem “informações que afirmem que o Irã está tentando produzir armas nucleares”,o que, segundo ele, não justificaria um ataque ao país.

Às crescentes diferenças em política externa entre Washington e Moscou se somam os esforços do governo russo em recuperar pelo menos parte do poderio militar da antiga União Soviética.

Uma prova disso é o reatamento dos vôos de bombardeios estratégicos russos, capazes de transportar armas nucleares, nas proximidades do espaço aéreo americano.

A prática era normal durante a Guerra Fria, mas havia sido abandonada após o fim da União Soviética e o aprofundamento da crise econômica da Rússia nos anos 90.

Agora, com o aumento do fluxo de divisas das exportações de petróleo e outras matérias-primas, Putin relançou essas missões, o que provocou inquietação militar nos EUA.

No início de outubro, o Comando de Defesa Aeroespacial da América do Norte (Norad) solicitou que a Rússia informe aos EUA o quanto antes sobre esses vôos, “para evitar problemas”.

Como todos estes ingredientes, os analistas acreditam que as relações entre EUA e Rússia se encontram agora em seu pior estado desde o fim da União Soviética.

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