As condições apresentadas pelo Brasil ao programa Euroclima, find que busca coordenar ações contra o aquecimento global, cost impediram por enquanto um consenso em torno da Declaração de Lima, que deverá ser ratificada pelos líderes da América Latina, do Caribe e da União Européia na próxima sexta-feira.
O Brasil tem “muitos receios” sobre a iniciativa porque a percebe como uma tentativa européia de se intrometer em sua política energética, disseram à Agência Efe fontes européias em Lima.
O Euroclima é um projeto apresentado pela Comissão Européia (CE, órgão executivo da UE) que tem a intenção de criar um plano de ação conjunto para o meio-ambiente e de luta contra a mudança climática na América Latina.
A Comissão conseguiu reunir um orçamento de 5 milhões de euros (US$ 7,7 milhões) para dotar o programa de fundos próprios, aproveitando recursos não utilizados.
“Não o entendemos”, afirmou uma representante européia que participa das reuniões de altos funcionários preliminares à 5ª Cúpula América Latina-Caribe-União Européia (EU-LAC, na sigla em inglês) sobre as reservas do Brasil, que impediram a realização hoje da reunião plenária.
Agora os europeus se dispuseram a preparar uma nova redação da proposta “mais neutra possível” para apresentá-la para a parte européia com o objetivo de superar os receios do Brasil.
Os debates de altos funcionários continuam no Museu da Nação de Lima, de onde veio a informação de que outro dos assuntos polêmicos é a luta contra o narcotráfico.
Enquanto isso, Lima aguarda a chegada dos presidentes e dignatários que representarão na cúpula os 60 países-membros do grupo LAC-EU.
A atenção está centrada principalmente na aguardada chegada do presidente venezuelano, Hugo Chávez, e da chanceler alemã, Angela Merkel, envolvidos em um forte polêmica.
A participação de Chávez, que nos últimos dias lançou duras críticas contra a dirigente alemã, ainda não está confirmada, mas os organizadores da cúpula estão convencidos de que chegará antes de sexta-feira, quando será iniciada a Cúpula América-latina-UE.
“(Chávez) avisou verbalmente que vinha, embora não tenha confirmado por escrito”, afirmou à Agência Efe o presidente da Comissão de Alto Nível da cúpula.
A sempre esperada chegada de Chávez aos eventos internacionais ganhou força desta vez depois que o venezuelano disse que a chanceler alemã pertence “à mesma direita que apoiou Hitler e o fascismo”.
A resposta não tardou a chegar e Merkel, a caminho de Lima, destacou hoje aos jornalistas, em Brasília, que pode se cuidar sozinha e que não precisa de mediadores para superar o mal-estar gerado pelas últimas declarações de Chávez.
Para minimizar o assunto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que acompanhou Merkel na entrevista coletiva, completou: “Conheço bem Hugo Chávez e a chanceler, sei que eles se encontrarão, tomarão um café e a paz voltará a reinar”.
As suaves palavras de Lula não impedirão, no entanto, que todos os olhos se voltem para o venezuelano e para a chanceler quando chegarem a Lima.
Nessa reunião, Chávez também se encontrará com o presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, com quem protagonizou uma forte polêmica na última Cúpula Ibero-Americana de Santiago do Chile.
Naquela ocasião, Chávez interrompeu Zapatero durante seu discurso e então o Rei Juan Carlos I pediu ao venezuelano que se calasse, o que deu lugar a uma crise sem precedentes entre os dois países.
Esse contexto faz prever novas controvérsias, tendo em vista que o presidente da Venezuela advertiu, em alusão ao incidente com o monarca espanhol, que não permitirá que o “mandem calar”.
Lima aproxima-se assim de uma cúpula da qual se espera uma aproximação entre Colômbia e Equador, depois da crise iniciada entre os dois países pela incursão militar colombiana ao país vizinho, mas também deixa entrever uma dose de surpresa pelas mãos do sempre controverso Chávez.