Pelo menos 11 pessoas morreram por tiros das forças de segurança sírias, que tentaram dispersar os protestos em massa de manifestantes que em mais uma sexta-feira voltaram a tomar as ruas para contestar o regime de Bashar al Assad.
Segundo assinalou o grupo opositor Comitês de Coordenação Local, foram registradas nesta sexta-feira pelo menos sete mortes devido aos disparos das forças de segurança em Arbin (ao oeste de Damasco), dentro da jornada batizada como “Deus está conosco”.
O porta-voz desse grupo Omar Edelbe ressaltou que há dezenas de feridos nessa cidade e não descartou que o número de vítimas possa aumentar com o passar do tempo.
Além disso, duas pessoas morreram em Homs, uma em Madamiah e outra em Deraa, segundo os Comitês.
Edelbe explicou que está havendo outras manifestações em massa no bairro Qudsia de Damasco, em Deir ez Zor, e na maioria dos bairros de Aleppo, que até o momento foi uma das cidades onde os protestos menos repercutiram.
No entanto, o ativista destacou que o cerco das tropas sírias impediu que essas manifestações se reproduzam na cidade de Hama, onde a oração de sexta-feira (a mais importante da semana) foi proibida em todas as mesquitas, salvo em pequenos templos dos arredores.
Por sua vez, o presidente da Organização Nacional Síria dos Direitos Humanos, Amar Qurabi, assinalou em declarações ao canal de televisão catariana “Al Jazeera” que os protestos se estenderam às cidades portuárias do Mediterrâneo como Tartuz, Raqa e Latakia, onde também se registraram mortes.
O novo desafio dos sírios ao regime ocorre dois dias depois de Assad promulgar o decreto que garante o multipartidismo na Síria, algo que os opositores põem em dúvida, além de considerarem-no tardio.
“É um decreto que demorou cinco meses (desde o início das reivindicações, em março passado), e 2 mil mártires depois”, criticou Edelbe, para quem a reforma “não vai tranquilizar a situação, pois os jovens já não esperam nada de uma autoridade que perdeu a legitimidade”.
Estima-se que, até o momento, pelo menos 1.639 civis e 386 membros das forças de segurança morreram desde o início da revolta popular, segundo a ONG Observatório Sírio para os Direitos Humanos.