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Regime norte-coreano prepara terreno para posse de Kim Jong-un

Arquivo Geral

21/12/2011 18h12

A Coreia do Norte reforçou nesta quarta-feira uma campanha para fortalecer o culto à imagem do jovem Kim Jong-un, filho mais novo do falecido Kim Jong-il, e preparar seu caminho ao poder em uma transição que deixa a Coreia do Sul em estado de alerta.

 

“Respeitado camarada” e “nascido do céu” são alguns dos termos usados pela imprensa norte-coreana para se referir ao jovem Kim Jong-un, principalmente na televisão estatal “KCTV”, que nesta quarta-feira emitiu novas imagens do jovem durante sua visita ao velório de seu pai.

 

Nestas novas imagens, Jong-un aparece cumprimentando diplomatas norte-coreanos e outras pessoas que participavam da cerimônia de condolências da morte de Kim Jong-il, cujo corpo segue no Palácio Memorial de Kumsusan, situado nos arredores de Pyongyang.

 

Kim Jong-un, uma figura praticamente desconhecida até o ano passado, é o virtual sucessor de Kim Jong-il, que em 1994 assumiu as rédeas da Coreia do Norte após a morte de seu próprio pai, Kim Il-sung, com muito mais experiência nos círculos políticos e militares que seu filho mais novo possui agora.

 

Nomeado general de quatro estrelas e vice-presidente da Comissão Militar Central do partido único em 2010, Jong-un emitiu sua primeira ordem militar na última segunda-feira, poucas horas antes da divulgação da morte do “querido líder”.

 

Nesta ocasião, segundo informou nesta quarta-feira a agência sul-coreana “Yonhap”, Kim Jong-un ordenou que todas as unidades militares interrompessem seus treinamentos e retornassem para suas bases, em um gesto de aparente conteúdo simbólico, o qual poderia mostrar sua vontade de controlar as Forças Armadas.

 

O enorme Exército Popular norte-coreano, com mais de um milhão de soldados, é chave na estrutura de poder do país comunista. Mas, na vizinha Coreia do Sul, os analistas especulam que o fato de Jong-un pertencer à dinastia não seria suficiente para obter um apoio durável da veterana cúpula militar.

 

Relatórios dos serviços sul-coreanos de Inteligência, divulgados nesta quarta-feira, apontam que uma comissão do Partido dos Trabalhadores poderia se responsabilizar pelos assuntos mais urgentes do país até que Kim Jong-un assuma o controle total do país.

 

No entanto, até o momento, não há informações que os cargos antes ocupados por Kim Jong-il, como o de secretário-geral do partido único e comandante supremo do Exército, tenham sido definidos.

 

O Governo da Coreia do Sul – tecnicamente em guerra com seu vizinho por não ter assinado até hoje um tratado de paz após o conflito de 1950-53 – mantém uma atitude de cautela e expectativa, embora nesta quarta-feira o governo tenha autorizado o envio de condolências ao Norte por parte de cidadãos e organizações privadas.

 

Entre os primeiros a prestar condolências esteve uma das seitas budistas da Coreia do Sul, a da escola Won, que mostrou suas condolências aos norte-coreanos “em profunda pena após a súbita morte de teu líder”.

 

Também expressou seus “sinceros pêsames” a presidente do conglomerado Hyundai, Hyun Jeong-eun, que lembrou os “esforços pela reconciliação das Coreias” através de um projeto turístico em conjunto que ambos os países mantinham no monte Kumgang. Atualmente, o projeto está paralisado.

 

O outro grande projeto que compartilhado por ambos os países é o parque industrial de Kaesong, também em território norte-coreano, onde mais de 100 fábricas sul-coreanos funcionavam com normalidade e empregam 48,6 mil funcionários norte-coreanos.

 

As informações vindas de Pyongyang que chegam até Seul descrevem uma cidade em luto, onde grandes imagens de Kim Jong-il foram colocadas nos espaços públicos para que os cidadãos se reúnam para prestar seus cumprimentos e chorar sua morte, além de esperar que um novo líder assuma o comando do país.

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