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Mundo

Refugiados dizem que foram acusados de "conspiração" na Líbia

Arquivo Geral

25/02/2011 18h01

Alguns refugiados egípcios e tunisianos que cruzam a fronteira pela passagem de Ras el Jebir disseram nesta sexta-feira que antes de iniciar a saída da Líbia as autoridades do país os acusaram de “conspiração contra o povo líbio”.

Além dos recorrentes relatos de roubos de celulares e dinheiro, cometidos às vezes pelas Forças de segurança líbias no outro lado da fronteira e em outras ocasiões por grupos de jovens vestidos de civis, alguns refugiados recém chegados à Tunísia relataram nesta sexta-feira à Agência Efe que em algumas ocasiões são acusados de incitarem a rebelião contra o líder líbio, Muammar Kadafi.

Abdelrahmán, um egípcio que trabalhava no porto de Benghazi, a segunda maior cidade líbia, manifestou que “Kadafi disse a sua gente que os tunisianos, os egípcios e os sudaneses são os responsáveis pelos massacres”, que registraram várias centenas de mortos, segundo diversas fontes.

Mosbah, outro trabalhador egípcio procedente da cidade de Zwara, indicou que nesta cidade e em outras como Jamzour e Zawiya, as Forças de segurança e grupos de paramilitares “pegaram as pessoas, as levaram aos quartéis da Polícia e ali a obrigaram a gritar a favor de Kadafi”.

O trabalhador egípcio prossegue seu relato e comenta que, em algumas ocasiões, elementos vestidos de civil roubaram seus pertences e os de todos que estavam nas ruas e igualmente tomaram nota de seus números de telefone e direções, com um claro propósito de amedrontar.

De acordo com Omar, também egípcio, em Trípoli e seus arredores “há gente que dispara contra civis desarmados” e durante as noites se escutam vários disparos.

Igualmente, Omar coincide com outros refugiados em contar uma versão que indica que em algumas ocasiões os incidentes são simplesmente atos de vandalismo comum, cometidos por grupos que tentam aproveitar-se do caos e da confusão da rebelião contra Kadafi, que começou no último dia 15.

“Os líbios roubam tudo o que podem e fazem-se passar por policiais. Normalmente os que fazem isto são jovens que não hesitam em machucar se não conseguir o que pediram”, disse Omar.

Algumas testemunhas assinalaram que em cidades como Subrata e Zauria não se viu presença do Exército líbio, mas só se observam grupos de paramilitares vestidos de civil e fortemente armados.

No que se refere ao cotidiano nas principais cidades líbias nestes dias de rebelião, alguns refugiados como Abdelkader, tunisiano, deram a entender que a sensação é que tudo está parado, pois “os líbios abrem suas lojas por duas ou três horas por dia”.

Valga a exemplo de Abderramán, outro trabalhador egípcio, curiosamente leva consigo o telefone celular e que mostra à imprensa mensagens supostamente recebidas da Líbia que, segundo ele, transmitem os acontecimentos.

Athem Yahyadiz por sua vez, garante que é líbio e que cruzou nesta sexta-feira a fronteira e o fez “para sentir-se livre”.

“Vim aqui para falar com a imprensa e penso em ficar até que abrirem a fronteira para todo o mundo”, manifestou.

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