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Rebeldes líbios rejeitam mediação africana

Arquivo Geral

11/04/2011 18h29

Os dirigentes rebeldes da Líbia rejeitaram nesta segunda-feira a proposta de mediação para o conflito local feita pela União Africana (UA), que incluía um cessar-fogo imediato, supostamente aceito pelo líder líbio Muammar Kadafi, cujas tropas, no entanto, continuam bombardeando várias regiões no oeste e leste do país.

 

O presidente do Conselho Nacional de Transição (CNT) – autoridade governamental dos rebeldes -, Mustafa Abdel Jalil, afirmou nesta segunda-feira, depois de se reunir com os enviados africanos, que os rebeldes “não negociarão o sangue de seus mártires” e ressaltou que Kadafi e seus filhos devem deixar o poder imediatamente.

 

Em entrevista coletiva em um hotel de Benghazi após discutir a proposta com a missão da UA, o líder dos rebeldes indicou que eles não aceitarão propostas que não incluam “todas as reivindicações básicas do povo líbio”, entre elas a saída de Kadafi e sua família do poder, além de liberdade de expressão em todo o país.

 

Desse modo, o líder dos rebeldes líbios rejeitava taxativamente o cessar-fogo imediato proposto no plano de paz da União Africana, que Kadafi tinha aceitado horas antes em Trípoli.

 

A missão continental havia sugerido também o estabelecimento de corredores humanitários livres de bombardeios para prestar ajuda à população civil e o início de um diálogo entre as partes em conflito, segundo o responsável de paz e segurança da UA, Ramtan Lamamra.

 

Embora Kadafi tenha dito no domingo aos enviados continentais – entre eles os presidentes Jacob Zuma (África do Sul) e Amadu Tumani Turé (Mali) – que aceitava o cessar-fogo, as tropas leais ao líder realizaram ataques nesta segunda-feira contra Misrata, terceira maior cidade líbia, cercada há mais de um mês e meio por tanques do regime, bem como outras regiões perto de Brega.

 

“Kadafi não respeitou as resoluções da ONU, continuou bombardeando civis e cidades, matando os líbios”, disse Abdel Jalil. “Qualquer iniciativa que não inclua a exigência popular para que abandone o poder não será aceita”.

 

O presidente do CNT destacou que os insurgentes avaliam os esforços de mediação da UA, mas insistiu que Kadafi deve deixar o poder “se não quiser que o sangue de milhares de líbios chegue até Trípoli e acabe também com ele”.

 

“Não negociaremos o sangue de nossos mártires. Morreremos com eles ou conseguiremos a vitória mais cedo ou mais tarde”, exclamou.

 

Além de Zuma e Turé, a missão da UA, que viajou no domingo a Trípoli e nesta segunda-feira a Benghazi com autorização da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), estava integrada pelos presidentes Mohamed Ould Abdel Aziz (Mauritânia) e Denis Sassou Nguesso (República do Congo) e pelo ministro de Exteriores ugandense, Sam Kutesa.

 

Enquanto os líderes continentais explicavam aos dirigentes rebeldes os detalhes da proposta, cerca de 3 mil manifestantes protestaram em frente ao hotel de Benghazi onde acontecia o encontro, exigindo que nenhuma negociação com o regime do coronel líbio fosse aceita, tal como constatou a Agência Efe no local.

 

Com palavras de ordem pró-revolução, cartazes com fotografias das vítimas do conflito e centenas de bandeiras tricolores – alusivas à Líbia pré-Kadafi, de 41 anos atrás -, os manifestantes expressaram sua desconfiança quanto à proposta da UA.

 

“Nenhuma paz com o assassino e seu regime” e “Kadafi, vá embora e deixa de matar seu povo, ninguém mais acredita em você” eram alguns dos gritos dos protestos, realizados em frente ao hotel Tibesty, um dos mais luxuosos de Benghazi, que, como quase tudo antes na Líbia, pertencia ao regime, mas agora se encontra em mãos rebeldes.

 

“Saif al Islam, terrorista, aos tribunais”, também gritavam furiosamente os manifestantes, numa referência ao filho mais velho do coronel, o mais que provável sucessor do regime.

 

Os insurgentes consideram que, se houver liberdade de expressão em Trípoli e em outras cidades do oeste do país, milhares de líbios sairão às ruas para pedir que Kadafi deixe o poder, o que aceleraria notavelmente a decomposição de seu regime.

 

Enquanto isso, as tropas leais ao líder recrudesceram os ataques sobre Misrata, castigada nesta segunda-feira pela primeira vez com os potentes mísseis russos Grad, de alcance de 40 quilômetros, além de morteiros e outros armamentos pesados, indicaram à Efe fontes rebeldes e testemunhas contatadas na cidade.

 

Também próximo à cidade de Brega houve combates entre rebeldes e forças pró-Kadafi, depois que, no domingo, aviões da Otan bombardearam intensamente a estrada que une esse polo petrolífero a Ajdabiya.

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