Altos funcionários do Governo dos Estados Unidos se reuniram nesta sexta-feira com uma delegação rebelde líbia, liderada por seu responsável de Exteriores, Mahmoud Jibril, com a qual abordaram como fornecer “apoio adicional” a sua causa.
Segundo um comunicado da Casa Branca, o conselheiro de Segurança Nacional, Tom Donilon, ressaltou que o Conselho Nacional de Transição líbio, o organismo que agrupa os insurgentes, é um “interlocutor legítimo do povo líbio” e insistiu que o líder líbio, Muammar Kadafi, “perdeu sua legitimidade para governar” e deve abandonar o poder imediatamente.
Antes do encontro, os rebeldes tinham expressado sua intenção de pedir à Casa Branca apoio econômico e reconhecimento diplomático para sua causa.
Segundo o comunicado da Casa Branca, Donilon e Jibril abordaram “como os EUA e a coalizão pode fornecer apoio adicional ao Conselho de Transição”, enquanto o alto funcionário “aplaudiu o compromisso do Conselho com uma transição política inclusiva e um futuro democrático para a Líbia”.
O encontro foi concretizado poucas horas depois que o presidente dos EUA, Barack Obama, se reunisse nesta manhã de sexta-feira, a portas fechadas, com o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, com quem debateu a situação no país norte-africano.
A Otan tomou o bastão dos EUA no comando das operações para cumprir a zona de exclusão aérea sobre a Líbia, imposta para impedir os ataques do regime de Kadafi contra os rebeldes.
Segundo informou a Casa Branca, Obama e Rasmussen “se mostraram de acordo que as operações da Otan salvaram vidas e, no entanto o regime de Kadafi continua atacando a sua população, a Otan manterá sua missão para proteger aos civis”.
Precisamente nesta sexta-feira, anunciaram que pelo menos 16 civis morreram em um ataque da Otan no enclave petrolífero de Briga, no leste da Líbia e próximo da linha da frente oriental há um mês e meio.
Segundo os dois canais estatais do regime líbio, que citaram uma fonte militar não identificada, o ataque da Aliança aconteceu entre quinta-feira e sexta-feira e causou pelo menos 40 feridos.
Antes de comparecer à Casa Branca, Jibril publicou um artigo de opinião no jornal “The New York Times” no qual pediu o reconhecimento do Conselho como o órgão representante do povo líbio.
“Pedimos aos EUA que se junte com a França, Gâmbia, Itália e Catar e reconheça o Conselho como o único representante legítimo do povo líbio até que se possam realizar eleições livres”, indicou o líder rebelde.
O reconhecimento diplomático, segundo Jibril, “isolaria ainda mais o regime de Kadafi em Trípoli, aumentaria a moral da oposição e melhoraria o acesso à ajuda humanitária e diplomática” e concluiu que “o que precisamos é que o povo entenda nossa causa e nos ajude a conseguir nossos direitos legítimos”.
Jibril solicitou também assistência econômica, ao advertir que a falta de fundos pode prejudicar seriamente sua causa.
Neste sentido, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, indicou que está trabalhando com o Congresso para modificar as leis atuais, de modo que se possa ceder aos rebeldes os ativos do regime apreendidos após a imposição de sanções, que nos EUA rondam os US$ 30 bilhões.
Enquanto a Casa Branca trata de criar uma relação com os rebeldes líbios para conhecê-los melhor, o líder líbio mantém seu desafio frente às operações da Otan.
“Estou em um lugar onde não podem me encontrar”, afirmou nesta sexta-feira em uma locução pela rádia distribuída pelos meios de comunicação líbios, depois que circulasse o rumor que tinha se ferido, ou inclusive morrido, em um ataque dos aviões aliados.