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Rebeldes criticam duramente a Otan por não atacar o oeste da Líbia

Arquivo Geral

04/04/2011 17h12

Os rebeldes criticaram nesta segunda-feira duramente a Otan por não tentar frear os ataques das tropas de Muammar Kadafi contra alvos civis em algumas cidades do oeste líbio, como Misrata, e também por não bombardear algumas zonas consideradas fundamentais para seu avanço na frente oriental.

Mais de mil pessoas se manifestaram nesta segunda-feira na praça central de Benghazi pedindo que a Otan ajude a desativar o prejudicial poder da artilharia pesada e dos tanques do regime, que bombardeiam sem descanso há quase mês e meio diferentes bairros de Misrata deixando centenas de mortos e feridos.

“Onde está a Otan? assinado: Misrata”, dizia um dos vários cartazes exibidos em Benghazi pelos manifestantes, entre eles muitas mulheres e jovens, que foram à simbólica praça, transformada no centro nervoso da revolta líbia.

“ONU e Otan, o que acontece com Misrata, Zawiyah e Zenten?”, perguntava outro cartaz exibido por um jovem, em referência às três principais cidades do oeste líbio, que estiveram ou continuam em poder dos rebeldes após semanas de ataques por parte das tropas de Kadafi.


Os manifestantes também gritaram palavras de ordem como “Otan deixe já de olhar e atue” e “Sarkozy leve já Kadafi para a prisão”, em referência ao presidente francês, transformado em uma espécie de herói entre os habitantes da zona oriental do país desde que a França impulsionou a resolução 1973 das Nações Unidas, que aprovou a intervenção aliada para proteger os civis líbios.

“Massacres de Kadafi no oeste, as vítimas ainda esperam”, dizia outro cartaz, que também faziam várias críticas, com ao primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, por não apoiar os ataques aliados.

Altos representantes da direção rebelde lamentaram nesta segunda-feira em declarações à Agência EFE a evolução da operação aliada desde que a Otan assumiu o comando da mesma, na quinta-feira passada.

“A situação mudou totalmente para pior desde que a Otan tomou o controle”, disse à Efe o membro do comitê de crise do Conselho Nacional Transitório (CNT), Haded Mohammed Ben Ali, que criticou que os bombardeios das forças internacionais se repitam sobre as mesmas áres em vez de serem concentradas nos arredores de Misrata e de outros pontos onde seriam mais efetivos.

“Não queremos uma Líbia dividida”, ressaltou Ben Ali, em referência a uma possível vontade por parte da Otan de não atacar o oeste líbio e manter o país dividido entre a zona rebelde e a do regime de Trípoli.

Os insurgentes também lamentaram que a Otan não ataque as tropas de Kadafi em localidades do leste do país como Bin Jawad, o que deixaria descoberta sua retaguarda em relação à linha da frente oriental, estagnada há vários dias em torno do ponto petroleiro de Brega, a 210 quilômetros de Benghazi.

Justamente nas cercanias de Brega, a aviação aliada realizou nesta segunda-feira vários ataques, segundo a rede de televisão “Al Jazeera”, e os combates continuaram intensamente durante toda a jornada pelo controle do local, com relação ao fato de os rebeldes terem ganho algumas posições.

O membro do comitê de crise do CNT considerou “ridícula” a suposta proposta do regime líbio para que Seif el Islam, um dos filhos de Kadafi, tome o poder no lugar de seu pai.

“Nem qualquer um de seus filhos, nem nenhum membro da família Kadafi e seu clã mais próximo nunca será aceito pelo povo líbio”, garantiu.

Apesar da falta de ataques aliados em lugares que os rebeldes consideram fundamentais, Ben Ali acredita que Brega seria recuperada “nas próximas 24 horas” pelas forças insurgentes.

Várias informações apontam que os rebeldes estão conseguindo organizar melhor suas tropas e estão perto de receber abastecimento de armas, cada vez mais necessárias.

Fontes da direção insurgente afirmaram à EFE que chegaram a um acordo com o Catar para receber armas e equipamento militar, e que estão em negociações com o Egito neste sentido. 

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