O presidente Raúl Castro, quem foi eleito nesta terça-feira como primeiro-secretário do Partido Comunista de Cuba (PCC), revelou que assume o compromisso de defender o socialismo e “não permitir jamais o retorno do regime capitalista” a seu país.
“Assumo minha última tarefa com a firme convicção e compromisso de honra, que o primeiro-secretário do comitê central do Partido Comunista de Cuba tem como sua principal missão, defender, preservar e prosseguir aperfeiçoando o socialismo e não permitir jamais o retorno do regime capitalista”, declarou Raúl Castro no discurso com o qual encerrou o 6ºCongresso do Partido Comunista de Cuba.
Os comunistas cubanos fecharam nesta terça-feira o congresso que oficializou o substituto de Fidel Castro à frente do Partido Comunista de Cuba. O bastão agora está nas mãos de seu irmão Raúl, até agora segundo secretário, posto para o qual foi designado o primeiro vice-presidente de Cuba, José Ramón Machado Ventura.
Em seu discurso, Raúl Castro se referiu a seu irmão – que assistiu ao ato embora não tenha falado – para indicar que “Fidel é Fidel, e não precisa de cargo algum para ocupar sempre o lugar no topo da história no presente e no futuro da nação cubana”.
“Enquanto tiver forças para fazê-lo, e felizmente está na plenitude de seu pensamento político, a partir de sua modesta condição de militante do partido e soldado das ideias continuará levando a luta revolucionária e aos propósitos mais nobres da humanidade”, disse Raúl Castro.
Além dessa substituição, o 6º congresso comunista elegeu os membros de seus órgãos de direção: o comitê central, o escritório político e o secretariado.
O novo comitê central do Partido Comunista de Cuba tem 115 membros e nele aumentou a cota feminina ao elevá-la para 41,7% com relação aos 13,3%, ao mesmo tempo em que contemplou a diversidade racial ao aumentar para 31,3% a presença de dirigentes negros e mestiços.
Para Castro, esse o primeiro passo para iniciar o processo gradual de renovação, rejuvenescimento e atenção ao gênero e à questão racial adiantada em seu discurso de abertura do conclave.
Com relação ao escritório político – que passa de 24 para 15 membros, três deles novos – foi formado com uma “adequada proporção” de membros das forças armadas revolucionárias, explicou o presidente cubano.
Além destas decisões orgânicas, o 6º congresso comunista cubano aprovou na véspera o plano de reformas econômicas colocado por Raúl Castro para superar a crise econômica.
Nesta terça-feira assinalou estar convencido de que Cuba está entre “um reduzido número de países” que tem condições de transformar seu modelo e sair da crise sem traumas sociais.
Advertiu que a atualização econômica “não é milagre que possa conseguir da noite para o dia” e que o desdobramento do plano de reformas será gradual ao longo de próximo quinquênio.
“O principal inimigo que enfrentamos e enfrentaremos serão nossas próprias deficiências”, disse Raúl Castro quem reiterou que serão feitas mudanças e retificações sem pôr em risco a unidade de Cuba em torno de sua revolução.