A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, afirmou hoje que “a União Europeia (UE) é quem vai decidir sobre o futuro do Kosovo”.
A alta representante fez as declarações na entrevista coletiva final do conselho de ministros de Exteriores da UE, o primeiro após a determinação da sentença da Corte Internacional de Justiça (CIJ), em Haia, aprovando a independência do Kosovo em 2008.
Catherine disse que “a UE é quem vai a decidir sobre o futuro do Kosovo” e que tanto o futuro de Pristina quanto o de Belgrado “passam” por Bruxelas.
A alta representante afirmou, além disso, que a UE “deve manter um diálogo fluido com ambas as partes”.
Neste sentido, expressou seu desejo de que “ambas as partes se sentem à mesa de negociações” em breve.
Por outro lado, a alta representante esclareceu que a UE não planeja “acelerar” as negociações para a adesão da Sérvia, como tinha sido divulgado pela imprensa austríaca.
Apesar de posturas diferentes dos 27 países-membros sobre o reconhecimento do Kosovo (Espanha, Grécia, Eslováquia, Romênia e Chipre não reconhecem à ex-província sérvia ao contrário dos outros 22), Catherine emitiu um comunicado pactuado pelas 27 nações após a sentença de Haia.
No texto, Catherine reivindica o papel da UE “de ponte de diálogo entre Belgrado e Pristina” e ressalta a força do diálogo como instrumento para “a paz e a estabilidade”.
Já o ministro de Assuntos Exteriores espanhol, Miguel Ángel Moratinos, disse hoje que a posição de vários países europeus, entre eles a Espanha, de não reconhecer a independência do Kosovo, ajuda a estabilizar a região e a promover uma Sérvia “moderada” e “pró-Europa”.
Em entrevista coletiva, o chefe da diplomacia espanhola comentou que, se houve avanços ultimamente na estabilidade dos Bálcãs Ocidentais, é também “porque há países da UE que não reconhecem o Kosovo”.
Para Moratinos, o não reconhecimento foi decisivo na hora de organizar a Conferência de Sarajevo, que impulsionou a cooperação na zona sob a Presidência espanhola da UE, com participação de todos os atores regionais, e para “seguir construindo uma atitude pró-Europa e moderada da Sérvia”.