Os líderes do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países ricos e os principais emergentes) começaram a chegar a Seul para a cúpula de dois dias que começará na quinta-feira sem que, por enquanto, os países tenham se aproximado consensos em temas polêmicos, como as divisas e os desequilíbrios comerciais.
Os negociadores de cada país trabalham para pactuar um texto que possa ser aprovado na sexta-feira pelos chefes de Estado e de Governo, mas longe de alcançar um acordo, apesar dos debates em temperatura elevada.
“O debate está sendo tão acalorado que quando entrei na sala onde estavam reunidos, tive que deixar a porta aberta”, disse à imprensa um dos porta-vozes da cúpula, Kim Yoon-Kyung. “Cada país tem sua posição, e por enquanto não querem ceder”, indicou Kim.
Deverá haver outra reunião nesta quarta-feira, mas por enquanto a falta de acordo sobre temas como a desvalorização de divisas, a expansão monetária dos Estados Unidos e a brecha que existe entre o superávit dos emergentes e o déficit dos mais ricos, deixou “espaços em branco” na minuta do comunicado final da cúpula.
No entanto, existem outros temas nos quais há avanços, como a reforma da partilha de poder no Fundo Monetário Internacional (FMI), que já foi aprovado pelo Conselho Executivo do organismo, o investimento em desenvolvimento e a mudança climática.
A ameaça de uma “guerra de divisas” – como batizou há semanas o ministro de Economia brasileiro, Guido Mantega – poderá ofuscar estes acordos se a reunião do G20 não conseguir chegar a consensos em outros temas.
O G20 é integrado por União Europeia (UE), Grupo dos Sete (Estados Unidos, Canadá, Japão, Alemanha, Reino Unido, Itália e França), Coreia do Sul, Argentina, Austrália, Brasil, China, Índia, Indonésia, México, Arábia Saudita, África do Sul, Turquia e Rússia, que juntos são responsáveis por 85% da economia do planeta.
A Espanha também participará da cúpula de Seul, na condição de país convidado.