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Questão nuclear ganha fôlego com retomada de programas no Brasil e Argentina, diz especialista

Arquivo Geral

24/06/2010 13h23

O engenheiro nuclear brasileiro Odilon Antonio Marcuzzo do Canto assume hoje (24) a presidência da Seção Latino-Americana da Sociedade Nuclear Americana (LAS-ANS, na sigla em inglês). Em entrevista à Agência Brasil, Marcuzzo afirmou que, no momento atual, em que existe uma renovação dos programas nucleares na América do Sul, principalmente no Brasil e na Argentina, a questão começa a tomar um novo fôlego.

A pauta da entidade na nova gestão inclui assuntos de interesse para o Brasil na área nuclear. Entre eles, Marcuzzo destacou o desenvolvimento do reator multipropósito, destinado à pesquisa e à produção de radioisótopos, elementos utilizados em várias áreas de saúde como a medicina nuclear. Segundo ele, o reator é “um objeto central no planejamento nuclear brasileiro”.

O programa inclui a construção da Usina Angra 3, cujo processo foi retomado este ano, com previsão de entrada em funcionamento em 2015, além da construção de centrais nucleares no Nordeste.

Na Argentina, a questão envolve também o desenvolvimento de novas centrais nucleares. Estão em fase de instalação de equipamentos da Usina Atucha 2, localizada na cidade de Zárate. A previsão é que a unidade entre em operação em até dois anos, disse o novo presidente da LAS-ANS. Será a terceira usina nuclear do país. As primeiras foram a Atucha 1 e a Embalse.

O Chile começa a se preparar para a escolha de sítios para reatores nucleares. O governo chileno está estudando a uso de centrais nucleares como fonte de energia para a malha elétrica daquele país, atendendo a todos os parâmetros necessários e às normas internacionais, segundo Marcuzzo. Ainda não há usinas nucleares no Chile. “Esses são assuntos que estarão na pauta da LAS-ANS nos próximos meses.”

Odilon Marcuzzo referiu-se também ao México. O país tem duas centrais nucleares em funcionamento. De acordo com ele, o planejamento para novas centrais, entretanto, está um pouco atrasado em relação ao Brasil e à Argentina.

A Seção Latino-Americana da Sociedade Nuclear Americana foi criada há 35 anos, para defender os interesses dos profissionais da área nuclear, envolvendo pessoas físicas e empresas. Com o objetivo de se preparar para o novo momento da energia nuclear nas Américas, a entidade discute, no Rio de Janeiro, em seu simpósio anual, a adoção de novas tecnologias para os combustíveis nucleares, abordando também a aplicação da energia nuclear na indústria, na saúde e na tecnologia de alimentos, por exemplo.

Ex-presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Ministério da Ciência e Tecnologia, Odilon Marcuzzo é, atualmente, secretário-geral da Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares (Abacc).

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