Os ministros de Assuntos Exteriores e de Defesa de Uganda, order Ruanda, Burundi e da República Democrática do Congo (RDC) se reuniram neste domingo em Campala (Uganda) para coordenar uma resposta à ameaça dos grupos rebeldes que operam na região dos Grandes Lagos africanos.
A reunião acontece sob a égide da Comissão Tripartite +1 (Burundi), apoiada pelos Estados Unidos, que agrupa os quatro países para a resolução dos conflitos na área. A região enfrenta um recrudescimento das atividades insurgentes no nordeste da RDC e uma disputa fronteiriça entre o Congo e Uganda.
“Todos estes assuntos serão discutidos pela Comissão. Segunda-feira, esperamos divulgar um comunicado”, disse à agência Efe a vice-ministra de Defesa de Uganda, Ruth Nankabirwa. A tensão entre a RDC e Uganda começou no início de agosto, durante as prospecções petrolíferas feitas por empresas ugandenses no Lago Alberto – fronteira natural entre os dois países. Soldados congoleses mataram um trabalhador petrolífero britânico empregado por uma firma local. Poucos antes, quatro soldados ugandenses foram presos pelas tropas do país vizinho e libertados dias depois. Além disso, seis civis ugandenses foram assassinados na área por guerrilheiros da RDC.
Em uma tentativa de evitar um conflito maior, no último dia 8 os presidentes ugandense, Yoweri Museveni, e congolês, Joseph Kabila, se reuniram em Arusha (Tanzânia) e assinaram um acordo para que seus países explorem em conjunto as áreas petrolíferas na zona da fronteira comum.
“O Acordo de Arusha também fará parte do pacto final a que chegaremos”, ressaltou Nankabirwa. Os enfrentamentos desde agosto entre as tropas governamentais congolesa e os soldados do general dissidente Laurent Nkunda na província de Kivu Norte, no nordeste da RDC, é também um dos assuntos em discussão.
A violência em Kivu Norte, perto da fronteira congolesa com Ruanda, mandou entre 25 mil e 35 mil refugiados congoleses para o território de Uganda. O leste da RDC se encontra sob a ameaça constante das chamadas Forças Democráticas para a Libertação de Ruanda (FDLR), formadas por antigos membros do Exército ruandês e das milícias hutus executoras do genocídio contra a minoria tutsi em 1994. Após os massacres, eles fugiram para a região oriental do antigo Zaire, e vivem lá desde então.
A presença desse grupo na zona de fronteira foi a causa que levou Ruanda a invadir duas vezes o vizinho maior (1996 e 1998), desencadeando guerras que deixaram 4 milhões de mortos. Por sua parte, Ruanda e Uganda mantêm um desacordo por causa do suposto apoio ruandês ao grupo de rebeldes ugandenses autodenominado Exército Popular de Redenção (PRA, na sigla em inglês).
Ruanda insiste que o PRA não existe, enquanto Uganda diz que apresentará, durante a reunião de Campala, documentos que provam sua existência. “Esperamos que, após a apresentação dos documentos (com nomes de diretores e a estrutura do grupo rebelde), nossos colegas ruandeses aceitarão a existência do PRA”, disse Nankabirwa.
Burundi, por sua vez, ainda não conseguiu estabelecer fixado definitivamente uma trégua que assinou com o último dos grupos rebeldes ativos no país, as Forças de Libertação Nacional (FLN), a única das sete guerrilhas originais que se manteve à margem do processo de paz que terminou com a eleição de um Governo de união nacional em 2005.