A Promotoria de Manhattan pediu nesta segunda-feira ao juiz Michael Obus que retire todos as acusações por agressão sexual e tentativa de estupro contra o ex-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI) Dominique Strauss-Kahn, segundo informou a rede de televisão “CNBC”.
O advogado de Nafissatou Diallo, a suposta vítima, Kenneth Thompson, lamentou na saída de uma reunião com a Promotoria que tenha sido “negado o direito a uma mulher a ter justiça em um caso de estupro”, e criticou também que as autoridades tenham “dado as costas” à perícia e às provas médicas do caso.
Com essas palavras, Thompson investiu contra o promotor de Manhattan, Cyrus Vance, cujo afastamento já havia pedido a um juiz ao considerar que “administrou mal” o caso e que seu escritório “sabotou” a credibilidade de sua cliente.
Após dias de rumores, Vance solicitou nesta segunda-feira em uma moção judicial apresentada ao tribunal que sejam retiradas as sete acusações contra o político e economista francês, que na terça-feira deve comparecer diante do mesmo juiz para saber o futuro de um caso que já perdeu toda sua força.
“Desde o início do caso, sustentamos que nosso cliente é inocente e defendemos que havia muitas razões para considerar que a litigante não era crível”, apressaram-se a declarar em comunicado enviado à Agência Efe os advogados de Strauss-Khan, William Taylor e Benjamin Brafman.
Desta forma, os defensores comemoraram a decisão de Vance de recomendar que o ex-diretor-gerente do FMI não seja julgado e confirmaram que o francês comparecerá na terça-feira à sessão prevista no processo.
A decisão da Promotoria de retirar as acusações foi divulgada minutos depois do término de uma breve reunião que os responsáveis pelo caso mantiveram nesta tarde.
Acompanhando a solicitação para retirada das acusações contra Strauss-Khan, a Promotoria incluiu um relatório completo sobre a ex-camareira que ainda não foi divulgado, mas que contará com novos detalhes que prejudicam ainda mais sua credibilidade, segundo antecipou o jornal “New York Post” em sua edição eletrônica.
Segundo essa documentação, a Promotoria conta com novas evidências que revelam que Diallo mentiu às autoridades sobre o conteúdo da conversa que manteve com um homem na prisão um dia depois do incidente no Sofitel de Nova York, em 14 de maio.
O escritório de Vance também tem provas que Diallo mentiu às autoridades quando disse que não manteve relações sexuais na noite anterior ao incidente no hotel, um dos argumentos apontados pelos advogados da suposta vítima para denunciar a tentativa de estupro.