O procurador-geral do Egito, Abdel Meguid Mahmoud, determinou nesta terça-feira que o ex-presidente Hosni Mubarak e seus dois filhos, Alaa e Gamal, sejam levados ao Tribunal Penal do Cairo para serem julgados pelo assassinato premeditado de manifestantes durante a revolução.
Em comunicado, a Procuradoria informou que Mubarak e seus filhos também são acusados de tentativa de assassinato dos participantes dos protestos pacíficos que explodiram em 25 de janeiro, assim como dos crimes de tráfico de influência e enriquecimento ilícito.
“O ex-presidente participou de acordos com o ex-ministro do Interior, Habib el-Adli, e com alguns ex-altos funcionários da Polícia, que também foram apresentados ao tribunal, a fim de perpetrar o crime de assassinato premeditado e tentativa de assassinato contra os manifestantes”, afirma a nota.
Mubarak também é acusado, segundo o comunicado, de “encorajar alguns policiais e oficiais a disparar contra os manifestantes e atropelá-los com a intenção de matar alguns deles, aterrorizar os demais e obrigá-los a se dispersar, a fim de continuar no poder”.
O porta-voz da Procuradoria, Adel el-Said, disse que as acusações contra Alaa e Gamal são as mesmas atribuídas a seu pai somadas a outras individuais, como irregularidades nos fundos de investimentos e no pagamento da dívida do Egito, privatização de empresas públicas e a cobrança de comissões por estas vendas.
Além disso, segundo a Procuradoria, Mubarak concedeu grandes extensões de terras pertencentes ao Estado ao empresário foragido Hussein Salem em troca de um palácio e quatro mansões na cidade litorânea de Sharm el-Sheikh, na Península do Sinai.
O procurador-geral também determinou nesta terça-feira que o Tribunal Penal julgue Salem, que recebeu ainda a incumbência de exportar gás a Israel com preços mais baixos do custo da produção, o que representou uma perda de US$ 714 milhões ao Estado egípcio.
Uma fonte da Justiça citada pela agência de notícias “Mena” disse que a Procuradoria enviará os processos ao Tribunal de Apelações do Cairo e assim que forem recebidos será fixará a data dos julgamentos e a sala do Tribunal Penal onde serão realizados.
Mubarak está internado no hospital de Sharm el-Sheikh desde o dia 13 de abril, quando teve uma crise cardíaca após ter tido a prisão preventiva decretada por 15 dias, enquanto seus filhos estão detidos desde o mesmo dia na penitenciária de Tora, no Cairo.