Passados dez dias desde a detenção do ex-deputado Sigifredo López por supostamente armar seu sequestro e o de 11 colegas parlamentares, que depois morreriam pelas mãos das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), a Colômbia segue atônita pelo que considera um dos capítulos mais insólitos do conflito vivido pelo país.
López, único sobrevivente entre os 11 deputados assassinados pelas Farc durante o cativeiro, foi detido no último dia 16 de maio acusado de participar em 2002 de seu próprio sequestro e o de seus companheiros da Assembleia de Valle del Cauca, cuja capital é Cali.
O paradoxo é que López, de 49 anos, passou sete anos sequestrado, até que foi libertado em 2009 e contou que sobreviveu porque naquele momento os guerrilheiros haviam lhe transferido para outro lugar e o separado dos demais políticos.
Preso e investigado agora pelos delitos de rebelião, perfídia, sequestro e homicídio, já que no ataque à Assembleia um policial morreu, este advogado especializado em Criminologia é hoje o centro de um grande debate na Colômbia porque ninguém sabe por quem assumir uma posição, se por ele ou pela justiça.
A procuradoria ordenou sua detenção com uma prova que considera “contundente”: um vídeo no qual aparece uma pessoa que detalha um plano mostrando os diferentes acessos, escritórios, escadas e portas da sede da Assembleia de Valle del Cauca, gravado antes do sequestro.
O ente acusador aponta que essa pessoa é Sigifredo López após submeter o vídeo a uma investigação de voz e fisionomia, apesar de a pessoa do vídeo só aparecer por um breve instante.
Parte dessa fita foi reproduzida pela televisão colombiana e nela é possível ver, de forma confusa, um homem com traços semelhantes aos do ex-deputado.
A defesa do ex-sequestrado considerou “muito fracas” as provas e pediu a colaboração do FBI para analisar as vozes, o que foi prontamente aceito pelo procurador-geral, Eduardo Montealegre, que anunciou que solicitará a cooperação da polícia federal dos Estados Unidos.
Alonso Cruz, um dos advogados do detido, considerou “acertada” a decisão e afirmou à Agência Efe que agora a equipe de defesa sente “que há garantias”, ao insistir que nem a voz nem a letra que aparecem nos planos “são de Sigifredo”.