O primeiro-ministro paquistanês, Yousuf Raza Gillani, assegurou nesta quarta-feira que seu país “não está isolado”, em uma tentativa de afastar a ideia de que alguns parceiros ocidentais estão dando as costas ao Paquistão após Osama bin Laden ter sido abatido em seu território em 2 de maio.
“Temos de estar unidos”, declarou o primeiro-ministro em um discurso no Senado.
Gillani garantiu que o Paquistão tem o apoio de países como China – um aliado tradicional -, Arábia Saudita e Irã, e disse que “ninguém deve duvidar” de que o Paquistão é “sincero” na defesa de seu território.
“Não estamos sós. O Paquistão não está isolado”, disse o primeiro-ministro aos senadores.
O ataque das forças americanas contra Bin Laden, há nove dias na cidade de Abbottabad, próxima a Islamabad, gerou internamente uma onda de críticas no pela violação do espaço aéreo paquistanês sem que o Exército tenha se dado conta e, no exterior, pelo fato de o líder da Al Qaeda ter se escondido no local durante cinco anos.
Por isso, Gillani insistiu no compromisso do Paquistão de lutar contra o terrorismo, e se esforçou para passar uma mensagem de unidade, assim como fizera na segunda-feira em discurso na Câmara.
“Nem Osama bin Laden é um cidadão do Paquistão nem o convidamos”, indicou.
As críticas são direcionadas à principal agência da inteligência paquistanesa (ISI) e ao Exército, embora no Parlamento o primeiro-ministro tenha defendido o seu trabalho.
Há três dias, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, declarou que o chefe da Al Qaeda contava com um “sistema de apoio” no Paquistão, demonstrando as suspeitas de que algum departamento do Estado paquistanês soubesse do paradeiro de Bin Laden.