O primeiro-ministro da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, presidiu nesta sexta-feira (16) a última reunião de seu governo em um conselho de ministros com clima de despedida, antes de um encontro com o próximo chefe do Executivo, o líder conservador Mariano Rajoy, com quem discutiu os últimos detalhes da transferência de poderes.
A reunião foi realizada no Palácio da Moncloa, sede do Executivo espanhol. A expectativa é que Zapatero deixe o cargo na próxima segunda-feira, coincidindo com o começo do debate de posse de Rajoy no Congresso dos Deputados.
Às vésperas de completar a transferência de poderes, Zapatero manteve o perfil discreto, quase em segundo plano, que adotou após a vitória eleitoral do PP no dia 20 de novembro. Nesta sexta-feira, despediu-se de seu gabinete sem declarações públicas.
Também não será ele quem conduzirá os argumentos opositores a Rajoy na segunda-feira no debate de posse, mas o novo chefe da oposição socialista, Alfredo Pérez Rubalcaba, ex-vice-presidente e ministro do Interior e candidato nas últimas eleições, quando sofreu uma dura derrota ao obter apenas 110 deputados do total de 350 cadeiras no Parlamento.
Zapatero permanece como secretário-geral do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) até fevereiro, quando a legenda realizará um congresso para a escolha de um novo líder e para reorientar sua estratégia após o baque eleitoral.
Após quase oito anos de governo, repartidos em duas legislaturas (2004-2008 e 2008-2011), José Luis Rodríguez Zapatero, de 51 anos, antecipou que se manterá afastado do primeiro plano político.
Sua saída do governo da Espanha, ao qual chegou pela primeira vez em abril de 2004 após uma inesperada vitória eleitoral, ocorre em momentos difíceis tanto no país como em seu partido, muito castigado nas eleições locais e regionais de maio, da mesma forma que nas gerais de novembro, pela gestão da crise econômica de seu Executivo.
Zapatero sustenta que as reformas e cortes que fez para conter o déficit público foram necessárias e evitaram que o país ficasse em uma situação mais comprometida.
Entre essas medidas, as mais impopulares foram o congelamento das aposentadorias e o corte de 5% do salário dos servidores públicos, junto com a reforma trabalhista aprovada em junho de 2010, que os sindicatos interpretaram como prejudicial para os interesses dos trabalhadores e convocaram uma greve geral.